terça-feira, 4 de novembro de 2008

Erro de Cálculo

Tenho como certo que a Política Externa americana não irá mudar, com a eleição de hoje. Mesmo a retirada do Iraque é algo que a actual Administração já programou, embora com calendarização menos apressada do que a que o Senador Obama defende. No que toca ao Irão e à América Latina, aposto como não haverá alterações, ao ponto de o favorito presidencial chegar a sugerir a manutenção do Secretário da Defesa em funções e de se apresentar de Powell ao lado. Por isso devemos buscar as atitudes expressas por Teerão e por Chávez na raiz psicológica da demonização que empreendem. Quando o regime da República Islâmica diz da Federação Americana ser, globalmente, o Grande Satã, encontra-se um corolário esperado na indiferença perante a pugna eleitoral de hoje. Ao contrário, Chávez, porque canalizou toda a sua pitoresca diabolização contra Bush, opta claramente pelo parlamentar do Illinois, ao ponto de chegar irrealisticamente a manifestar esperanças de que ele revogue o embargo que só prejudica inocentes e o Papa João Paulo II, em devido tempo, condenou. A mim, o que parece mais estranho é tanta fé depositada num político que vai fazendo tudo para se vender como um novo Kennedy: é que foi precisamente este que ordenou o bloqueio!

15 comentários:

marilia disse...

É difícil saber quem é quem - em toda parte do mundo...

Mialgia de Esforço disse...

A menos que ocorra um efeito Bradley de última hora ou que muitos inquiridos tenham mentido para as sondagens, Obama será o futuro Presidente dos EUA. Não me lembro de ver um candidato com tantos apoios declarados, com destaque para a imprensa, quer a local quer a estrangeira, incluindo a tuga.

Estou enjoado desta forma de fazer política “showtime”, por isso limitei-me a acompanhar qb. a campanha. Não vi nenhum dos debates, mas aparentemente não perdi grande coisa. Não são mais do que reprises das eleições anteriores.

O que me preocupa verdadeiramente são as consequências da Obamamania para a Europa. Pelo que tive oportunidade de ver e ler a campanha de Obama foi orientada para as questões internas e as referências à Europa não passaram de notinhas de rodapé. Que vai continuar a pedir o apoio militar europeu tanto no Iraque (menos!?) como no Afeganistão (mais) afirmou-o claramente. O que ficou de fora foram as relações económicas com a Europa. Sem a recuperação económica dos EUA e o consequente aumento do consumo interno é praticamente impossível a retoma sustentada das exportações europeias. E o mais preocupante é o lado proteccionista de Obama, o que equivale a mais e maiores taxas alfandegárias e a um aumento dos subsídios ao sector agrícola norte-americano. A Europa deixa de ser competitiva e os EUA vão intensificar as suas relações comerciais com os parceiros do continente americano.

Espero estar completamente errado.

Abraço.

Gi disse...

Na política a m**** ainda é mais igual e nem as moscas variam muito;
De qualquer maneira, se Obama ganhar e tiver tempo de aquecer o lugar por lá, pelo menos a nível interno muita alguma coisa vai mudar por lá, a nível das mentalidades.
Eu votaria nele, nem que seja por ter muuuuuuuuuuuito meeedo da Sarah Palin.

cristina ribeiro disse...

Também eu acho que vai ser um "tudo como dantes" no que à política externa respeita: muitas decepções sofrerão os que pensam mudanças gritantes nesse domínio- a ver vamos.

Beijo

Patti disse...

"Ich bin ein Hollywood stern".

Margarida Pereira disse...

Não digo nada de novo ao escrever que existem quer fundações, quer estrutura de base, para a posição dos EUA, dentro e fora de portas.
Obama é, na verdade, uma grande incógnita, daí a reserva dos mais conservadores.
Existe, também, a questão racial.
Será um nadinha estranho, para todos, uma família afro-americana (ai o subterfúgio...) naqueles que foram os domínios da corte dos WASP Kennedy,p.ex. .
Novos tempos, melhores tempos? Deus queira.
Enfim, se, como parece, o cidadão se alcantilar à Casa Branca, que seja realmente tão bom como o pintam e que faça o melhor que puder.
Pela América e, já agora, pelo resto do mundo que precisar.
A ver vamos...

Marie Tourvel disse...

Você disse uma palavra perfeita para caracterizar a América Latina: pitoresca.
A América Latina é pitoresca. :)))
Um beijo

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Marília,
mas faz-me confusão que o Presidente Venezuelano não tenha tido presente a autoria daquela forma de pressão...

Meu Caro Mialgia,
antes do maus, grande imagem de identificação!
Depois, acompanho a Sua preocupação quanto ao programa obamiano. Estou particularmente perplexo perante as intenções fiscalistas do candidato. Já disse tudo e o seu contrário, ultimamente parece ter-se fixado na redução para as famílias de classe média e aumento dos que incidem sobre grandes empresas. Ora, num cenário de estagnação...

Querida Gi,
eu tenho boa impressão do Homem, como, aliás, de McCain, o que é coisa rara em presidenciais americanas. Mas não auguro coisa boa a uma presidência dele e acho que os adeptos europeus vão ser os mais desiludidos.

Querida Cristina,
até porque a República Imperial, como gostam de ser qualificados, tem exigências estratégicas de maior permanência do que as energências da volatilidade eleitoral.

Querida Patti,
tem todo o ar e o culto...

Querida Margarida,
Kennedy não seria WASP - white, anglo-saxonic e PROTESTANT - já que era Católico (Irlandês). Mas a questão religiosa é importante e pouco abordada. Se, como se pensa, Obama ganhar, amanhã farei postazita sobre o tema.

Querida Marie,
eu não ia além do apodo de Diabo de Chávez a Bush! Não me indisponha com todo um subcontinente, Seu Diabinho!
Beijinhos e abraço

Margarida Pereira disse...

Paulo, muito bem dada, a 'palmada'.
Não me recordei desse "detalhe"; o que queria dizer era "rosadinhos, de olhinhos azuis e anglo-saxãos"...
A religião, em detalhe, seria de somenos (não é, mas não vamos aprofundar agora).
Pronto.
Beijinhos agradecidos pela nota.

Marie Tourvel disse...

É verdade, não se pode se indispor com o Chile. Com o resto não há problema algum. Marie diz: é pitoresca, sim. :)))))
Pus lá o seu Dom Quixote. Sei lá que eu se ficou bom. Depois me diz se ficou pitoresco. ;)
Beijos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Partilho da mesma opinião lá no meu cantinho, caro Paulo. Há foguetes a mais para uma festa mexeruca.

Mialgia de Esforço disse...

Caro Paulo,

Acerca do meu boneco: trata-se de uma singela homenagem a um velho Companheiro de Aventuras da minha infância e adolescência e um dos grandes responsáveis pelo meu vício da leitura.

Abraço.

ariel disse...

Querido Paulo, compreendo que não và à bola com o Obama, mas no que diz respeito a contradições no programa de acção para combater a crise pede meças ao McCain que esse sim a meu ver tem sido um autentico catavento. A minha "candidata" era a Hillary, estou expectante sobre o que o homem vai fazer.
Beijinho

ana v. disse...

Obama ou McCain, qualquer um será uma benção depois de Bush. Aposto em Obama, como tenho dito, por me parecer que a sua eleição pode redimir a imagem de uma América retrógada e preconceituosa, que Bush ajudou a cimentar ainda mais.
O que ele fará depois, se for eleito? Não sei, mas que melhores garantias dá McCain a nós, Europeus?
Bjs

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro Carlos,
vou já de seguida falar do desfecho. Note-se que sempre defendi Obama, acho é que estão muito indefinidas algumas das opções de governação e são perigosos caminhos como o de mexer na tributação, na crise que corre.

Meu Caro Mialgia,
com essa homenagem, o Amigo solidifica a personalidade blogosférica, de uma forna tangibilíssima, a da genuinidade do reconhecimento afectivo da dívida cultural.

Querida Ariel,
nada de levantar falsos testemunhos! Sempre disse que simpatizava com Obama. O que não implica que lhe não escrutine as propostas sectoriais, é cosa que faria com qualquer outro.

Querida Ana,
ele foi eleito presidente ´na América, o que importa é o que possa fazer para recuperar a Economia de lá, que sentiremos, como que em ricochete.
No aspecto fiscal McCain defendeu no Senado o que eu penso ser correcto: cortes sim, mas menores que os que Bush fez. Eu acho que a medida certa teria sido um terço do que foi. No Fututo imediato, não onerar mais as empresas, ou o crescimento (e o aspecto crucial do Emprego) desabam,
Beijinhos e abraços