Hoje, no Porto, grande parte da População Madeirense voltou acreditar que existe o Pai Natal. Eis como foi referenciado...
Quereis uma revolução? Invocai os três ingredientes que nunca lhes faltam: a loucura, a maldade e o sofrimento. A loucura dar-vos-á máximas de justiça; a maldade, os executores; o sofrimento, um povo. Rapetti
Adquiri ontem um livro que procurava, desde os meus 17 anos. A justificação patrocinada por Pombal, extensa de 522 páginas, da reforma com que tornou a Universidade de Coimbra dócil, expulsando os Jesuítas que dominavam a Docência. O livro é de um facciosismo evidente e indescritível, que, visto à luz do nosso tempo, até passaria por ingénuo, caso não tivesse servido para fundar arbitrariedade. No afã de contrariar a Linha Aristotélica até aí predominante, chega a acusar ipsis verbis de monstruosidades os princípios filosóficos a abater e a atribuir-lhes fins conspirativos. Mas terá sido o tom tão sarrafeiro que levou ressabiados contra os Homens de Santo Inácio, como esse Latino Coelho precursor de propagandas malignas, a chamarem-lhe livro famoso, benemérito da civilização pátria.
Respigo de um livrinho de 1881 uma informação que nos deve dar que pensar, a propósito da responsabilidade dos Médicos, nos nossos dias. É a de que na Turquia Antiga, mas até meados de Oitocentos, quando morria um pacente por manifesta ignorância de um clínico, era este condenado a trazer ao pescoço duas tábuas donde pendesse uma série de campainhas e nessa conformidade passeado contnuadamente pelas ruas. De cada vez que pedisse para descansar, era obrigado a pagar uma quantia determinada, sendo a função dos guizos a de chamar as gentes para que o vissem e pudessem fugir dele, em sentindo-se doentes.
Chegou ao fim o programa que durante sete anos ouvi, na Rádio Renascença, «Com Sal e Pimenta». Devo dizer que gostava dele, e que acho excelente o nome encontrado, mas que considero não corresponder nem um pouquinho ao que oferecia. O picante e o grão de sal estavam muito mais presentes na comparação óbvia que suscita, o «Flash Back» dos gloriosos primeiros tempos, em que havia um apelo constante na marcação de pontitos de actores ou ex-actores no espectro político-partidário. Penso que esse modelo cansa tremendamente hoje, no momento em que a grande maioria do público atento está saturada dos duelozinhos de facções.
Talvez tenha sido este desenho dos efeitos do jet lag que tenha levado à descoberta de determinado remédio para as viagens prolongadas de aeroplano. Ou pode ser que a ideia tenha vindo de certo apelo que também se qualificar como avião... O meu receio é um só: será que funciona com os dois sexos? E, caso contrário, não será nova discriminação?
Sou um distraído paradigmático. De Inverno, o guarda-chuva, de Verão, os óculos de sol, são atestados e vítmas, em simultâneo, da minha incapacidade de conferir concentração aos avatares da Rotina. Devolver o troco que vim de receber, ficar com esferográficas acabadas de me serem momentaneamente emprestadas, estender na biblioteca o cartão do supermercado, são características que só não aspiram à promoção a marcas de personalidade porque, uma a uma, são facilmente encontráveis em outros frequentadores dos mesmos meios. O todo é que podia ser desoladoramente identificante.
Não, não é antecipação de Sexta! Mas não podemos deixar de nos debruçar sobre os números surpreendentes com que nos deparamos. Diz que em cada cinco Mulheres uma tem uma fantasia secreta de Pai Natal. Não pretendo tirar a prova dos noves com as Leitoras do Duro, embora o assunto seja interessante. Afinal, se dissessem da respectiva posição neste contexto, a fantasia deixaria de ser secreta e o inquérito estaria subvertido.
Sim, eu sei que a vida cubicular da cidade grande é propícia a uma hipersensibilidade que deixe o travo amargo de uma vida engaiolada. Não só os apartamentos, longe do nível do natural do solo e hermeticamente cerrados, como a rotina que pode, nos momentos de fragilidade maior, constituir a mais opressiva das grades, no íntimo de cada ser à beira do desespero. Também a referência permanente oscilando entre a solidão e o remorso que é a identificação com os animais confinados a jaulas de vária dimensão, tomando o lugar da própria pena deles. Para além do Quixotismo em que cada um de nós busque a sua salvação terrena condenar, quase fatalmente, à devolução à procedência, metida nos ferros protectores e disciplinadores da ânsia de voar para longe.
Uns quantos gays organizados têm a suprema lata de atacar o Presidente Eleito dos EUA por ele haver convidado um eclesiástico opositor da extensão do casamento ao mesmo sexo para um tradicional sermão inaugural. Nunca tinha ouvido falar neste religioso. Pelo que dizem, parece-me ter traços muito simpáticos, como os de promover o empenhamento social em minorar a infelicidade dos desmunidos e na permanência do nexo moral com a linhagem que nos fez.
Uns bons anos depois, a frase tão desmentida do Eng. Guterres, finalmente, faz sentido. Mas só para os incondicionais cultores dos produtos da Apple...
Tinha prometido à Ka fotografia da Árvore de Natal da minha infância. Procurei uma a cores, que as há. E porque a superstição das nossas assimilações quer que o cromatismo variado dê melhor conta da Felicidade. Hoje, desisti, resolvendo atirar-Vos com esta, a preto e branco. Será mais adequada a um tempo em que já não está completa a equipa, em que se diluiu a vontade de estar contente, só os Afectos Supervenientes que também Vós sois levando a fazer das fraquezas forças para resistir a deixarmo-nos submergir pelo espectro de Scrooge.
Está muito certo que tentem vender uma t-shirt com um dispositivo a aplicar aos consumidores incontinentes, que dispare um sinal sonoro. Afinal, apesar das exortações do Banco de Portugal que passem por novos Elogios da Loucura, os alienados de outrora eram atados a sinetas, nos hospícios, para que os vigilantes soubessem quando se encontravam eles mais agitados. E o excesso consumista é a suprema insanidade da nossa rotina de hoje, logo a fúria controleira...
O recurso a imagens pelos Políticos é quase tão divertido como a tentativa de os futebolistas empregarem correctamente adágios. O Dr. Costa lembrou-se de comparar a escolha oposicionista do Dr. Santana para concorrer com ele com a fábula da Cigarra e da Formiga. Ora, eu nunca ouvi acusar o ex-Primeiro Ministro de não fazer coisas, pelo contrário, os seus mais veementes críticos acusavam-no de fazer as erradas. Enquanto que a Cigarrita se tinha entretido de papo para o ar. Não creio que o actual Edil se estivesse a comparar a ela, sabendo-se como o desfecho lhe foi desfavorável, mas até se poderia achar-lhes algumas parecenças: afinal, antes do período das dificuldades, o autarca pôs-se a cantar, de galo, muito embora.
Além de que me faz impressão constatar tão breve vida no verbo teclar. Espero bem que não eliminem também o rato, ao menos para preservar um sentido útil ao vício de mão dos blogadores incontinentes...
Muitos se interrogarão sobre o motivo que terá o Executivo do Dr. Costa para distribuir castanha pelos vendedores da dita, cobrando-lhes uma taxa exorbitante por uma pequena extensão do horário de venda. Tenho como óbvia a resposta, de tanto ouvirem falar em castanha pilada, pensaram ser obrigatório um esforço camarário de tirar a pele. E o consentimento numa barraca de farturas, lamentado na segunda parte da notícia linkada, denota o entendimento com o Governo, tão celebrado a propósito do acordo das entradas na Terceira Travessia do Tejo: quando o Ministro Teixeira dos Santos reconhece não poder cumprir os números que anunciara, nas grandes variáveis económicas, a Câmara avança com fartura sucedânea, que dê a ilusão. É presiso é picicologia, como quem diz, esperteza saloia.
A menina da foto tem hoje 51 anos e acha que ser, ou ter sido levada ao colo pelo Pai assassinado lhe dá o direito de ser Senadora. Caroline Kennedy fez chegar ao Governador de Nova Iorque uma nota sobranceira, manifestando interesse no cargo, passando alegremente por cima de muitos políticos experientes. É coisa lamentabilíssima. Como se sabe, não gosto de eleições com partidos envolvidos, porque tenho sempre a convicção de que acabarão por revelar-se... partidas. E de mau gosto. Mas para nomear livremente gente sem currículo, só Alguém que não tenha a sua legitimidade dependente de votos e a liberdade tolhida pela coleira de uma facção institucionalizada.
Manda a Gi que eu manifeste os meus primeiros passos no Mundo das Letras. Já aqui dei conta dos relativos ao período em que era absolutamente principiante. Urge, portanto, retomar o fio da meada onde ficou a ponta por pegar.
Uma das primeiras leituras foi a das Aventuras de Tintim, que me fascinaram, nem tanto pelo protagonista, mas sim pela inolvidável figura do Capitão. Penso que aí fiquei de vez configurado no sentido de identificar a perfeição não com o sucesso, muito mais com a disponibilidade de aplicar-se totalmente, entrincheirada em separações radicais do que se gosta e daquilo que nos impressiona mal. Segui pelo Astérix a que ainda volto bastante e muito, muito, pela escola Disney Brasileira, de que ainda conservo um malão cheio, para possível êxtase das traças. Passei da Banda Desenhada para os textos com Blyton, onde detestava os Sete, porque assumidamente infantis e desconfiava dos Cinco, os quais via como demasiado preocupados. Era a série »Mistério», com o Gordo & Cª. a pregar partidas ao polícia Arreda que me enchia as medidas, talvez por paixão precoce pelos disfarces físicos e para alimentar uma costela anarquista contra a baixa autoridade, em ordem a aliar-me à de posto mais elevado.
Tenho de dizer que, no affaire Pardon, estou totalmente pelo lado da Carla Bruni, ao pretender encher o saco de euros, para os doar à Caridade. Não só porque o fim é bom, como porque acho que Ela foi alvo de um insulto duplo. Não estaria tão certo, caso a sociedade da Reunião que lhe estampou o nu se tivesse ficado por tal ousadia. Parecer-me-ia, então, que espremer os direitos de imagem não honra qualquer estrela, como a que, por razões várias, a bela Italo-Francesa se tornou.
Todavia, a frase, combinada com o nome da firma, é acintosa, ao ponto de degradar gratuitamente a percepção do matrimónio dela com o Presidente, coisa que merece sanção dura. E, para cúmulo, o dono da empresa que conseguiu esta publicidade de sonho, veio, com uma justificação seráfica, invocar em seu favor outra, em bem mais dúbio sentido, a da Primeira Dama. O que, sob a capa da inocência igualizadora, é evidente jogo de significações ofensivo, como na anedota com barbas paternatalícias, em que um bem intencionado orador saudava o eminente Homem Público e a sua distintíssima esposa, também de todos conhecida como notável mulher pública...
O Sr. Sócrates não precisava de mobilizar apoiantes na Burguesia, pelo que nos podemos interrogar por que carga de água resolveu culpar o PCP (o outro) da organização de protestos na margem Sul. Com efeito, em vastos estratos da população daquela área o que o falador político tenderia a pretender semente de repulsa pode, mais provavelmente, dar em fortalecimento da ligação entre massas agastadas com o P-M e a força política a que foi atribuída a iniciativa de resistência a ele.