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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O Grau Zero da Decência

O Caso do corruptíssimo Governador do Illinois é certamente grave, mas não me surpreende, a política partidocrática está cheia deles, como de favorecimentos análogos aos constantes desta triste lista. O baixo calão em que o indivíduo se exprimiu, querendo abichar uns trocos, menos me deixa de boca aberta, conhecendo o percurso da ruim peça. A ameaça de estrangular financeiramente um grande jornal entretanto falido, caso não lhe publicassem artigos favoráveis, menos me revolta, aquele homem público está bom para aquela imprensa, colaboracionista das mafiosas traficâncias da família Daley, na presidência da Câmara de Chicago.
O que tenho por inadmissível é a chantagem do sujeito, congelando prestações destinadas a um hospital de crianças, caso o director do estabelecimento não contribuísse para a sua recolha de fundos. A saúde da Miudagem deveria ser sagrada, até para semelhante celerado. E espero que encontre na prisão onde o depositem reclusos e guardas prisionais cujos filhos não possam ter sido tratados pela falta das verbas por ele recusadas. Creio que dessa conjunção de vontades poderia resultar a atmosfera ideal à redenção dele...

As criancinhas não servem só para tirar fotografias de campanha!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Língua Franca?

Estão explicados os acontecimentos calamitosos do BPN. Como o Inglês é o idioma que predomina nas transacções dos dias que correm, o Dr. Oliveira e Costa, decerto por erro de digitação a que é alheio, confundiu ser um banqueiro com estar entrincheirado: To be a banker por to be in a bunker. Ou como fortificação nem sempre é fortalecimento de capital.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ó Vã Cobiça!

Livros Antigos e Tesoura, de Christopher Stott

Muito gentil e oportunamente chamou-me a Patti a atenção para certa notícia. Qualquer amador de livros fica contristado, mas, para além disso, logo me interessou saber as motivações deste estranho personagem. O ar não é susceptível de tranquilizar quem quer que seja, mas exige-se de quem escreve um pouco mais do que imputar actos criminosos das pessoas às aparências respectivas.
A princípo, confesso o preconceito, ao constatar a origem iraniana do indivíduo, pensei que fosse uma espécie de terrorismo cultural, até porque os specimens mais atingidos pelos recortes assassinos eram obras que falavam da expansão Ocidental em terras hoje islamizadas.
Graças à net pude investigar um pouco mais e desenganar-me: pelos vistos, tratava-se apenas de uma patologia mental de coleccionador compulsivo. Por que será que não me admiro por aí além? Tenho, desde há muito, a noção de que quem se dedica ao coleccionismo está a um pequeno passo do crime. Eu próprio já me surpreendi a dizer a "concorrentes" que o livreiro tal nada tinha de interessante em certo dia, quando estava a abarrotar de volumes apetecíveis. E noutros vi coisa pior, até o furto.
Roubalheira não encontro neste caso, apesar de poder parecê-lo. Suspeito muito mais de um despeito dos mais desequilibrados, que, não podendo possuir exemplares únicos, mutila os que existem, para que mais ninguém os tenha. E que guarda as páginas amputadas como troféus dos seus êxitos malignos na senda da destruição.

No Dia da Pessoa com Deficiência outros farão melhor do que eu a exaltação da necessidade de comportamentos dignos para com os que foram atingidos por essas limitadoras infelicidades. Mas talvez não seja de todo descabido ver no Livro um símbolo do Homem. E nestes, irremediavelmente aleijados, um paradigma dos estropiamentos que resultam da maldade humana.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Excessos Enquadrados

Afinal, a anorexia promete ser derrotada e todos os excessos alimentares e de condução em sentido estrito não acarretarão consequências malignas. No Canadá um traficante de droga, condenado, além disso, por participação em organização criminosa violenta, foi libertado, por ser excessivamente gordo. Se a moda pega, não se abdicando da proporcionalidade, decerto não serão precisos tantos Kilogramas para cada infractor ao Código da Estrada escapar à punição: em engordando um bocado, bastará não pagar a multa, optando pelos dias de prisão alternativa. Se estiver, de facto, com peso em excesso, pode ser posto fora. Já não é só o perú que se engorda na Quadra. Alguns humanos também sabem depender dessa perspectiva o final feliz de evitar ver nascer o Sol aos quadradinhos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fama de Difamar

O Mentiroso, de Clive Barker
Eu compreendo que se mudem os procedimentos e que um acusado de abuso de Liberdade de Imprensa não deva ser algemado no transporte para o tribunal, como um ladrão ou um criminoso violento. Não vejo é que, por uma indignação de visado, se deva descriminalizar a difamação, como preconiza um Académico de nome Guinchard, à frente de uma daquelas comissõezinhas que se tornam nocivas quando sugerem aligeiramentos da disciplina real. Deixar a regulação da Verdade nos Media, em matéria de abordagens de indivíduos, apenas ao escrúpulo moral e à indemnização cível mais não fará do que adubar o terreno para a calúnia. O medinho da pena é o único travão para certos indivíduos.
Quanto à substância do caso em apreço, não faço a mais pequena ideia, mas já são vários os que chamam o jornalista de mentiroso - os polícias e o queixoso...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Toca Sempre Duas Vezes?

Não posso deixar de pensar que situações como esta, mais do que traduzir as fraquezas da rectidão humana, se ficam a dever ao anonimato progressivo a que muitas profissões são votadas. Antigamente, excluídas as micropovoações onde a extensão dos Correios era cometida a populares distribuidoras de outras mercadorias, confiava-se no Carteiro como um pilar social, ao ponto de, muitas vezes, ser ele a desempenhar tarefa para que não era remunerado, a leitura das missivas dirigidas a iletrados. Um resquício dessa confiança encontrei-o, não há muitos anos, ao saber da eleição para presidente camarário do único município da Ilha do Corvo do profissional desse ofício.
Na Urbe e arredores, cada vez mais, a tendência foi a de perder de vista a consideração pessoal dessa função, já que a actividade respectiva se subsumia à rotina sem rosto que se furtava ao nosso olhar, por estar bem debaixo dos nossos olhos. Chesterton desmascarou tal miopia psíquica no conto «O Homem Invisível», em que faz um assassinato ser cometido por um agente escamoteado às vistas das testemunhas - mas não ao raciocínio reconstituinte do Padre Brown - por um uniforme de responsável das entregas postais.
Da mesma forma, o dinheiro de plástico, de cartões creditantes debitantes e o Diabo a Sete, subtraem à vigilância do olhar a concreção do dinheiro, sempre equiparada a metal sonante ou cédulas sucedâneas. E, quando se juntam a evaporação da identidade de que dependem as imputações criminais e a abstractização da matéria sujeita a gamanço, chega-se o fogo à pólvora.
É o Progresso!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Nozes e Dentes

O Beijo, de Claude BuckEu não dizia, eu não dizia? "Técnico" para despromover alguma coisa, como se pode comprovar neste texto. No caso, o beijo, que, realmente, associado à (des)qualificação, fica arrasadinho de todo. Agora, aquele Baldwin de água fria... coitadinha da Jennifer! Merece ser perseguido até ao fim do mundo por beijocas fantasmagóricas, como a da imagem. E a ciência que estuda este carinhoso gesto, a Filematologia, bem poderia denominar Complexo de Baldwin o equivalente à impotência neste específico campo.
Falando de coisas mais sérias, a devoradora de homens que foi Cleópatra não terá beijado um único, fazia gala de o dizer. Terá reencarnado neste incompetente?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Gemada da Reforma

Em primeiro lugar, tenho de dizer que lançadores de ovos a figuras públicas deveriam ser expostos no pelourinho, para que a multidão transformasse os projécteis em boomerangs e os devolvesse, podres, como outrora.
Mesmo tratando-se da Ministra Lurdes, os brincalhões de Halloween para além da data não têm desculpa. Mas isso não impede que esteja aguardando, ansioso, uma nota conjunta do Ministério da Administração Interna e do da Educação, revelando que os arremessadores contra a Governante referida eram Professores disfarçados. É que se forem alunos, como vem noticiado, perde-se o alibi do Executivo, qual seja o de reformular os moldes da actividade docente para benefício de quem aprende. Se os que estudam estão contra as inovações tanto como os que ensinam, o único interessado nas novidades passa a ser o Conselho de Ministros. Que, com efeito, vem mostrando ter pouco a ensinar e menos ainda conseguir aprender.
O boneco abaixo não é da natureza das condenações que anteriormente citei. É um divertimento de feira, que permite atirar um ovo ao sujeito, desde que se page um euro. Pudesse eu pôr a titular da pasta da Educação neste preparo, como colaboradora numa empresa de local de diversões, teria a vidinha feita.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Lei da Compensação

Não sei se é mais esfarrapada a desculpa, ou infeliz a redacção da sentença. O cirurgião romeno que procedeu a este indesejado corte radical alega que o fez determinado por um AVC. Normalmente estes acidentes entravam os movimentos, não os incrementam, para mais com tamanha precisão. Mas não discuto, não sou versado em conhecimentos de fisiologia que me permitam opinar com segurança. Parece-me francamente desastrada é a decisão, que não posso classificar de douta. O Justo seria, além da obrigação indemnizar, recorrer à pena de talião. Os autores da castração de Abelardo, na França medieval, viram arrancar-lhes os olhos, além dos ditos, antes de serem mandados pelo carrasco para o Inferno. Neste caso, imaginando a inexistência de dolo, a castração química bastaria, para servir de exemplo e infundir cautelas, no Futuro. Mas o pior é a fundamentação: compensar ao máximo?! Melhor iria compensar ao mínimo!!! A menos que os Meritíssimos Juízes de Bucareste se hajam impregnado do espírito do tempo, o qual, em momento de crise, preza mais uma maquia no bolso do que a própria integridade.

A B(r)amar

Em nada surpreende que o BPN e suas máscaras hajam escolhido umas quantas garagens do condomínio partilhado por Cristiano Ronaldo para armazenar a papelada que desejavam subtrair ao escrutínio: por um lado comprova a eficácia da propaganda da concorrência, a instituição intervencionada deve ter esperado aumentar a sua conta com a proximidade do Génio da Bola, se não mesmo receber alguns brindes. Mas há mais, considerando que muita da documentação será comprometedora, ninguém me tira da cabeça que o nome da rua - Comandante Cousteau, autor de «O Mundo do Silêncio» - também influiu na escolha, por fornecer esperanças de que as irregularidades não transpirassem.
O que é indiscutível é que as autoridades andaram aos papéis. E nem se percebe, decerto qualquer popular que conhecesse estas residências de luxo suspeitaria logo de que as respectivas acomodações de veículos albergariam grandes bombas...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Um Aperto no Peito

Ora, eu, a princípio, quando li a notícia de o Secretário de Estado da Igualdade, na Finlândia, ter sido demitido por apalpar os seios de várias convidadas, numa festarola, pensei que a sanção se tivesse ficado a dever a não ter mostrado aptidão para o cargo que ocupava, ao não haver procedido de igual forma com todas as presentes. Depois vi que, afinal, a pasta que lhe fora confiada era de Igualdade, sim, mas entre os géneros. Bem, mas então ele tem uma desculpa, estava a sublinhar a saudável e natural diferença que se quer sobreviva dentro dessas precauções niveladoras, repare-se que não andou a belistar peitos de homens.
Fora de brincadeira, claro que o uso do Poder para estas pequenas satisfações é condenável. Mas a solução não passa só por demitir prevaricadores, deveria ser levada à consequência de eliminar pastas abstrusas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eu Hoje Recolhi Assim!

Não bastava ter ficado retido no comboio por uma estúpida avaria, ainda passei umas adoráveis três horas num centro de Saúde, na terceira tentativa para que acertassem totalmente o preenchimento de uma receita. Mas há que extrair das amarguras da vida tudo o que elas nos possam trazer de aproveitável. Estava bastante perplexo, por não atingir a conexão que uma notícia sobre homicídios conseguisse ter com a página de Saúde em que foi integrada. Examinando os sentimentos com que entrei em casa, já percebo uma certa ligação... e sem diferenciações étnicas.
Volto depois do jogo, para responder aos comentários. Espero não com o mau humor agravado...

O Chuto no Salão

De boas intenções está este inferno cheio. As estatísticas têm de valer igualmente para atestar falhanços, não apenas para pôr em prática atitudes erradas. Com o relatório sobre o aumento comparado das infecções transmitidas por agulha no meio toxicodependente, a criação das salas revela-se uma contraproducente exortação e a política de troca de seringas uma verdadeira troca baldroca. Neste campo a repressão pode não resolver tudo, mas prescindir dela descriminalizando, é um convite para a morte.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Telefonofobia

Sabe quem me segue há mais tempo da minha raiva surda, nas fronteiras da patologia, aos telefones. Cheguei a publicar um artigo primordialmente assestado ao perigo de servidão ínsito no uso de telemóveis, mas em que não poupava os antecessores de fio. E o tempo parece apostado em dar-me razão, como provam as últimas notícias. Na campanha eleitoral norte-americana chegou-se à degradação do eleitor a que se pede a confiança, com a triste moda dos telefonemas-robô, mensagens pré-gravadas, automaticamente enviadas para os números dos cidadãos tidos como terreno fértil. Se algum candidato, nos EUA ou na Patagónia, tivesse a lata de pôr um aparelho a tentar convencer-me da bondade do seu programa, com uma mensagem feita para um qualquer, imediatamente ficaria excluído das hipóteses de obter a minha preferência. Ou então, a terra a quem a trabalha, toca a eleger aquele que deu o litro!

Por outro lado, alertam-nos para a quase inevitabilidade de, com o aumento da componente de inteligência artificial dos telemóveis, estes virem a ser uma mina para os hackers, os piratas informáticos inseminadores de vírus, já que estão mais desprotegidos do que os computadores clássicos. Cada vez mais me convenço de que, tirando os progressos da Medicina, a única invenção de jeito, desde a Antiguidade Clássica, foi o autoclismo. Em matéria de telecomunicações, caminho a passos largos para acreditar que o estado ideal é o antevisto nesta premonitória pintura de Chamine: Desligado.
Sejam os bucaneiros os da Política, ou os dos teclados, não há dúvida de que a nossa paciência está a saque.

Publicidade Enganosa

Tenho de agradecer à Nocas Verde ter-me chamado a atenção para um importante estudo científico que relaciona o consumo de café com a redução do tamanho do peito feminino. Esta reveladora pesquisa fez enfim luz sobre um duplo problema que me atormentava - o da razão de ser deste anúncio, bem como a causa profunda de enfileirar entre os mais odiados de sempre pelas Feministas. Com efeito, como poderia ser credível que uma qualquer compra de café acarretasse, por si só, reacção tão desproporcionada? Por outro lado, vê-se agora que o correctivo era apenas a capa que escondia as razões últimas da aversão dos movimentos que falam continuadamente em "libertar" a Mulher. Assim, já se percebe, o ódio aos sutiãs era tão profundo que chegava ao ponto de pretender eliminar os motivos deles. E não gostaram de ver a estratégia contrariada.
Quanto a ser correcto exceptuar-se ou não o produto propagandeado, deixemos que os cientistas o atestem Até lá, tomo-o por camuflagem de mensagens com maior grau de importância na estrutura familiar.

domingo, 26 de outubro de 2008

Missão Espinhosa

Compreendo perfeitamente que o tribunal francês encarregado de julgar a queixa do Presidente Sarkozy contra a empresa que comercializou o malfadado boneco/alfineteira com os seus traços tenha decidido esperar uns dias. É que os direitos sobre a imagem não me parece poderem vingar nesta circunstância. Não se está a usar a figura do Presidente para publicitar outro produto, ou a comercializar efígie dele pelos seus adeptos, como as t-shirts com rostos de actores e desportistas. Pode porém a iniciativa editorial ser condenável, caso os juízes considerem haver consequências reais nas práticas de Vodu. Aí, a empresa que comercializou o fantoche poderia ser acusada de instigação, ou, no mínimo, cumplicidade, de um crime de ofensas corporais.
Ser espetado é o fado das Figuras Públicas, Certo Deus Romano, via a sua estátua trespassada pelos suplicantes, os quais encontravam no expediente um aide-mémoire que os tranquilizava acerca da probabilidade de serem atendidos. E aqueles que enfiarem as agulhas no sarkobrinquedo podem defender-se dizendo ser uma prática de acupunctura que torne ao Chefe de Estado mais suave o exercício do cargo...
Teria alguma razão, caso fosse Rei, Quem não é posto no cume por alguém, contra os outros, tem como inerência uma certa sacralidade que se confundo com outros símbolos perenes do País. Um político eleito por facção, ao contrário, reafirma a sua vocação para alvo. E não se pode pretender que os dardos castigadores que lhe enderecem tenham de ser atirados à distância.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Com Que Então, Metamorfose?

Os perigos de outra civilização industrializada: quando afastado da tradição, o Japonês citadino cai no extremo inverso do descrito abaixo, versando o Americano urbano. Onde este faz do Real um jogo, o primeiro tende a tomar o jogo como Real. O caso da pianista que, furiosa por um marido virtual se ter dela divorciado, desenvolveu esforço assombroso para matar esse personagem simulado a partir de uma pessoa de carne e osso só tem contraponto no facto de ele ter achado tal gravidade no caso, ao ponto de fazer queixa-crime. Sim, eu sei, a razão da detenção dela foi a utilização indevida de uma identidade e dados pessoais que se queriam no domínio da confidência. Porém, o que importa é notar o abastardamento do que Huizinga considerou a essência do Lúdico - o elemento de fantasia concretizado no fingir, dissolvendo-se quando expirado o limite espácio-temporal do jogo. Já não estamos diante do perigo, avassalador mas externo, que Baudrillard viu na transformação das imagens transmitidas em Realidade. É no plano do nosso íntimo, dos nossos sentimentos, que o vírus agora encontra terreno fértil para minar.
Claro que, por enquanto, não vai muito além do País do Tamagoschi. Onde se procurava induzir a responsabilidade e o afecto, descamba-se agora na furiosa vingança da desagregação das uniões. Como na vida, enfim. O próprio nome desse duplo construído e partilhado diz do investimento pessoal assombroso que se verteu nele: Avatar!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Votos Sobre Votos

Voto, de Anthony Papa
Com o aproximar das eleições americanas volta à baila o problema da votação dos presos. Na maior parte da Europa permitida, só em dois Estados da Federação Norte-Americana o é. Devo dizer que experimento algumas dúvidas a respeito. É certo que, defendendo que ninguém se dignifica por votar em partidos, me parece uma desumanidade escusada não poupar os encarcerados a essa angústia... Mas não sou ceguinho, sei que a generalidade das Pessoas ainda vê nessa burla um grande direito. Tentemos então pensar como Esses.
Quem desrespeitou a regra da Comunidade deve poder influir nela? Em princípio mão me repugnaria considerar as teorias que dizem ser a permissão de "botar" aproveitável para a regeneração, como também me parece digna de consideração a ideia de que o castigo só será sentido com a privação estendida ao sufrágio, como ao sexo, por exemplo. Tudo dependerá de se querer fazer o condenado ficar consciente do horror da sua acção, ou dos múltiplos processos de voltar a assimilar-se.
O que não aceito é que se excepcione, como no Vermont, a fraude eleitoral, dessa concessão. Não porque me repugne impor uma limitação conexa com a natureza do crime, a castração química aos violadores de crianças, ou aos violadores tout court, por exemplo. Mas porque me custa engolir que um assassino bárbaro disponha de uma participação retirada a um mero batoteiro...
E se o conceito fosse preenchido como deveria, abarcando toda a manipulação da verdade, qualquer candidato ficaria impedido de votar em si, mesmo que não judicialmente condenado. O que, por outras razões, as de desportivismo, deveria suceder. Sem que me lembre de alguma vez ter mentido para caçar votos, seria incapaz de votar em mim, numa qualquer pugna decidida por maiorias.