Tenho de dizer que, no affaire Pardon, estou totalmente pelo lado da Carla Bruni, ao pretender encher o saco de euros, para os doar à Caridade. Não só porque o fim é bom, como porque acho que Ela foi alvo de um insulto duplo. Não estaria tão certo, caso a sociedade da Reunião que lhe estampou o nu se tivesse ficado por tal ousadia. Parecer-me-ia, então, que espremer os direitos de imagem não honra qualquer estrela, como a que, por razões várias, a bela Italo-Francesa se tornou.
Todavia, a frase, combinada com o nome da firma, é acintosa, ao ponto de degradar gratuitamente a percepção do matrimónio dela com o Presidente, coisa que merece sanção dura. E, para cúmulo, o dono da empresa que conseguiu esta publicidade de sonho, veio, com uma justificação seráfica, invocar em seu favor outra, em bem mais dúbio sentido, a da Primeira Dama. O que, sob a capa da inocência igualizadora, é evidente jogo de significações ofensivo, como na anedota com barbas paternatalícias, em que um bem intencionado orador saudava o eminente Homem Público e a sua distintíssima esposa, também de todos conhecida como notável mulher pública...
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
De Saco Cheio
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Aldeia Gaulesa,
Pratos da Balança
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
O Pomo da Discórdia
Um cavalheiro chamado Michael Renfro depositou em juízo uma acção cível contra os sucessores de Magritte, pedindo uma indemnização de quinze milhões de dólares pelo que considera ter sido uma apropriação ilegítima da sua imagem em O Filho do Homem, acima, com a aparência de uma maçã colada à cara, sustentando que a arte do grande Belga se resumiria ao foto-realismo e que poderia tê-lo captado nos anos 1960´s, em Bruxelas, quando lá estivera, a comprar um coco e um sobretudo.
Não conheço a petição incial elaborada pelo ilustre mandatário do Autor, mas seria caso para ter invocado o quadro ao lado, em que a negação ganharia um alcance mais lato do que aquele que os críticos reconhecem, o do truísmo desvanecido que lembra não ser a representação pictórica o próprio fruto retratado.Todavia, não parece poder ser-lhe dado ganho de causa. Provou, com esta iniciativa, ser um verdadeiro maduro e o vegetal que lhe serve de rosto está tão verdinho como aquele que ficou imortalizado na tela, um caso biologicamente muito problemático de conservação.
Das duas uma, ou lembrando-se do isco lançado pela Cobra a Eva, tentou dar uma dentadinha no que lhe proporcionaria a imortalidade, pelo minuto de fama que os Media lhe concederam, ou como comensal (a)bancando, noutra chapa célebre do mesmo objecto, As Belas Realidades, experimentou conferir-se alguma participação no Belo. Num e noutro caso seria tentar tomar o Desejo pelo Real. E Magritte teria gostado disso.
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Delírios,
Pratos da Balança,
Tintas Trocadas
domingo, 23 de novembro de 2008
Graus de Obediência
Aplaudo a inicitiva, mas duvido da eficácia da recomendação do associativismo profissional Parece evidente que a função de julgar é pouco compatível com os juramentos de entreajuda aos membros de filiações como a do título, sem perda de imparcialidade. E isto para acolher a versão mais benigna, a que não detecte conluios de apropriação do Poder, em diversos níveis. Mas a própria Igreja, aparentemente dotada de meios mais convincentes de conformação espiritual, não conseguiu impedir muitos católicos de se agregarem a inimigos seus, dentro das lojas maçónicas, apesar de, desde 1738, continuadamente, vários Papas, com especial realce clarificador pra Leão XIII na Bula Humanum Genus, proibirem aos Católicos, sob pena de excomunhão, a pertença a essa organização. Onde falharam injunções destas, quem acredita que triunfem bem-intencionadas recomendações parasindicais? Se os pedreiros livres já não se revestem do carácter caviloso de outrora, ainda funcionarão como agência de emprego. Ou instância favorecedora de promoção nas carreiras mais respeitáveis, como no caso.
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Claques da Política,
Pratos da Balança
sábado, 15 de novembro de 2008
A Sogra em Línguas
Apesar de as sogras serem o único grupo social que bate as louras como tema de anedotário, eu defendo que a alergia dos genros a elas no Portugal de hoje é mais folclore do que outra coisa. Muitos casos que conheço mais de perto mostram-nas amicíssimas dos maridos das filhas e, até, tomando muitas vezes o partido deles contra os rebentos, nas pequenas discrepâncias do dia-a-dia. Ao contrário da relação com as noras, essa sim, mais problemática.Mas não parece ser caso em Itália, onde um cavalheiro(?) celebrou uma convenção ante-nupcial que consagrava a promessa da desposanda em manter ao largo a sua mamã. Infringido o acordo, deve-se notar a convergência da razão dada ao lesado, quer na anulação eclesiástica, quer nos tribunais civis. A primeira, então, seria fruto de uma independência sem par, dado o celibato dos decisores. Mas, voltando à vaca fria, parece-me de discutibilíssima rectidão a imputação de uma melguice à Mãe da noiva, ainda antes de ela poder ter lugar. Lembra os assobios ao árbitro, num campo de futebol, previamente a ele começar a apitar, quando entra em campo.
O que me leva a um artigo de 1909, assinado por Assis Júnior, onde se lê, sobre o procedimento de nativos africanos para com esses elementos afins:
O cafre - o habitante da costa oriental d´África austral - em observância aos seus usos, costumes e mesmo leis, evita sempre o encontro com a sogra como signal de muito respeito, como succede ao escravo com o seu senhor, ao vassalo com o seu rei, etc.; porque entende que um ente, objecto, ou coisa a que se deve respeito, se não deve encontrar.
Venham lá dizer que a nossa civilização não tem lições a receber de outras, tidas como menos evoluídas! No caso vertente até fica ao critério do Leitor se o ensinamento a retirar concerne à urbanidade ou à eficácia...
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nós sem escuteiros,
Pratos da Balança
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Poder Moderador
A Prudência e a Justiça, de Perugino
Leio sobre uma instituição chinesa que durou desde o século XI a.c.(!) até ao princípio do XX da nossa Era. O Tom-Tcha-Yang era um orgão de 36 membros, cujo nome significava O Tribunal que Vela Por Todos. Composto paritariamente por elementos das duas principais etnias do País, tinha o poder de modificar leis já promulgadas, segundo critérios de mérito, como de devolver ao Imperador decretos seus que achasse desconformes ao Direito, assim como apreciar todos os actos da Administração Pública, oficiosamente.
Grande vantagem haveria em ter nas partidocracias um travão de magistrados independentes deste tipo, que deixasse os politiqueiros facciosos condicionados por rédea curta. E, segundo consta, o prestígio dos que o integravam era incomensuravelmente maior do que o dos ministros. Imagine-se então se estes saíssem de cumplicidades organizadas sob rótulos, daquelas que se aguentam quando muito uma dezena de anos lá em cima...
Leio sobre uma instituição chinesa que durou desde o século XI a.c.(!) até ao princípio do XX da nossa Era. O Tom-Tcha-Yang era um orgão de 36 membros, cujo nome significava O Tribunal que Vela Por Todos. Composto paritariamente por elementos das duas principais etnias do País, tinha o poder de modificar leis já promulgadas, segundo critérios de mérito, como de devolver ao Imperador decretos seus que achasse desconformes ao Direito, assim como apreciar todos os actos da Administração Pública, oficiosamente.Grande vantagem haveria em ter nas partidocracias um travão de magistrados independentes deste tipo, que deixasse os politiqueiros facciosos condicionados por rédea curta. E, segundo consta, o prestígio dos que o integravam era incomensuravelmente maior do que o dos ministros. Imagine-se então se estes saíssem de cumplicidades organizadas sob rótulos, daquelas que se aguentam quando muito uma dezena de anos lá em cima...
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Claques da Política,
Pratos da Balança
terça-feira, 4 de novembro de 2008
A Sociedade Aberta
O Magistrado, de Moroni
Muito se fala contra a intromissão de Magistraturas na decisão governativa, mas parece-me elementar a vantagem de elas corrigirem os erros desses profissionais da Política que se sentem ameaçados. Hoje como ontem. No Século XVII, Jerónimo da Costa, um Cigano que se não sabe proveniente de Espanha ou da Sabóia, armou-se à custa da própria bolsa e pelejou bravamente pela causa Portuguesa, morrendo na Batalha do Montijo.
A Viúva, desvalida, requereu naturalização e amparo para o filho, obtendo a primeira e a concessão de que fosse ao descendente ensinado um ofício mecânico.
Porém, submetido o alvará ao Procurador Geral da Coroa, Tomé Pinheiro da Veiga, achou este insuficientíssima a recompensa. E logo ali lavrou censura, dizendo que ao ofício mecânico devia Sua Majestade mandar pôr o ministro que tal despacho deu.
E mais disse, que o Cigano, defendendo terra que não era sua e morrendo no campo quando muitos naturais dela fugiam do combate, merecera mais do que grande número de portugueses que haviam combatido na mira de recompensas. E que, além de mandar pagar à viúva os soldos que o caído rejeitara, se desse ao filho pelo menos o foro de cavaleiro fidalgo, já que seu pai tão bem cavalgara em serviço da Pátria; que se lhe proibisse qualquer ofício mecânico e se ordenasse que ele e sucessores servissem na milícia e nos presídios, para honra e glória do valente e leal morto.
Uma correcção actualíssima, tendo-se presente como entrada na Ordem da Nobreza desempenhava, com mais seriedade, o papel das condecorações de hoje. E pena é que nos nossos dias a nacionalidade seja atribuída segundo formulações gerais e abstractas e não em função do mérito concreto, como na antiga Monarquia Portuguesa. Além de que de lamentar me parece não ser confiada a instâncias independentes a possibilidade de emendar a(s) mão(s) que os carreiristas dos partidos metem pelos pés.
Muito se fala contra a intromissão de Magistraturas na decisão governativa, mas parece-me elementar a vantagem de elas corrigirem os erros desses profissionais da Política que se sentem ameaçados. Hoje como ontem. No Século XVII, Jerónimo da Costa, um Cigano que se não sabe proveniente de Espanha ou da Sabóia, armou-se à custa da própria bolsa e pelejou bravamente pela causa Portuguesa, morrendo na Batalha do Montijo.A Viúva, desvalida, requereu naturalização e amparo para o filho, obtendo a primeira e a concessão de que fosse ao descendente ensinado um ofício mecânico.
Porém, submetido o alvará ao Procurador Geral da Coroa, Tomé Pinheiro da Veiga, achou este insuficientíssima a recompensa. E logo ali lavrou censura, dizendo que ao ofício mecânico devia Sua Majestade mandar pôr o ministro que tal despacho deu.
E mais disse, que o Cigano, defendendo terra que não era sua e morrendo no campo quando muitos naturais dela fugiam do combate, merecera mais do que grande número de portugueses que haviam combatido na mira de recompensas. E que, além de mandar pagar à viúva os soldos que o caído rejeitara, se desse ao filho pelo menos o foro de cavaleiro fidalgo, já que seu pai tão bem cavalgara em serviço da Pátria; que se lhe proibisse qualquer ofício mecânico e se ordenasse que ele e sucessores servissem na milícia e nos presídios, para honra e glória do valente e leal morto.
Uma correcção actualíssima, tendo-se presente como entrada na Ordem da Nobreza desempenhava, com mais seriedade, o papel das condecorações de hoje. E pena é que nos nossos dias a nacionalidade seja atribuída segundo formulações gerais e abstractas e não em função do mérito concreto, como na antiga Monarquia Portuguesa. Além de que de lamentar me parece não ser confiada a instâncias independentes a possibilidade de emendar a(s) mão(s) que os carreiristas dos partidos metem pelos pés.
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Águas Passadas,
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