Mostrar mensagens com a etiqueta Paz à Sua Alma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paz à Sua Alma. Mostrar todas as mensagens

sábado, 13 de dezembro de 2008

O Virar da Página

De Lance LathropA morte do celebérrimo modelo fotográfico de Bondage, tanto em poses dominadoras como de submissão, merece breve reflexão sobre o seu papel. Quanto a mim foi o de trazer o Sadomasoquismo ao Mundo Pop, com certeza, mas por razão diversa da simples dimensão das imagens difundidas: ao combinar a mera plasticidade e divertimento específica de pin up, como ao corporizar, indistintamente, a postura activa e a passiva, veio substituir a dor pelo riso no apelo desta específica aba da Sexualidade. Uma espécie de meio caminho entre a viciação transmitida por Sade, assente na coacção e excitações unilateralmente impostas, por um lado, e a aceitação de privar-se de mais vontade do que a dessa própria transigência que joga com a força de prender pela radical disponibilidade, em «História d´O». Com Bettie nada disso havia, apenas a mera piscadela de olho que substituía as sujeições e os sentimentos. A que podia desfrutar de saída mais generalizada do que a da obsessão das elites culturais.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Nós e os Laços

Foto de Adriano Miranda
Sempre li e ouvi com atenção Alçada Baptista. Mais do que a sua ficção, que, embora nada desprezível, não me despertava arrebatamentos, muito cedo contactei com a autobiografia espiritual num percurso sem a linearidade do simplismo, a que não raro voltei. Desde cedo me fez impressão que se prestasse à promoção do político que achava mais detestável no anterior regime, como do que acho mais execrável, neste. E a publicitação do seu desgosto com um passo encorajador na letra do hino pareceu-me, como à quase totalidade das pessoas que conheço, um excesso de zelo de aspiração à concórdia que nos fez algo impiedosamente dá-lo como rondando a patetice.
Todavia, um Escritor deve ser julgado pela sua obra. Essa aí está e longe de não merecer atenção. Do Homem poderei dizer que o ouvi com interesse em conferências, unicamente pela apreensão do humano que sabia transmitir, porque era pouquíssimo dotado, de seu natural, para a Oratória, embora não assim para a conversação. Lembro uma sobre o Memorialismo, no Museu Conde Castro Guimarães, aqui em Cascais, em que, sobre a alienação do consumismo, tão na ordem do dia, duvidava em voz alta de que a educação tivesse um papel decisivo em fomentá-lo, ou esbatê-lo. Contava:
tenho vários filhos, uns não se preocupam nada com isso, quando precisam de um fato vêm pedir-mo emprestado; outros andam sempre a fazer compras. E foram todos educados da mesma maneira.
Mas, por falar em Educação, no tempo infame em que eu era advogado estagiário, presenciei um julgamento cível por causa de um prédio, com ódios de vizinhança e um cão de permeio. O Falecido tinha ido testemunhar por um dos lados, a Moradora adversária do cão. Uma filha Dele, pela parte contrária, o Dono do dito. O depoimento do Escritor, tratado com toda a deferência pelos juízes, foi para esquecer, insistia em falar dos problemas jurídicos subjacentes na administração do condomínio, quando só interessava que respondesse sobre factos. Mas o da Filha impressionou-me sobremaneira: não quero crer que a mentira seja a regra dos testemunhos em juízo, mas é-o certamente a omissão de verdades desfavoráveis ao lado por que se está, como a configuração dos relatos de acordo com o que mais o favoreça. Pois foi essa, até hoje, a prestação de declarações mais imparcial que escutei, para mais tendo dado a saber que não falava à outra parte. Pensei na altura e ainda penso que um Homem que incute tal conduta num Filho tem de ser estimabilíssimo. Cada vez mais acredito que as intervenções políticas são as que menos revelam a dimensão de um Ser Humano.
Inclino-me pois perante a Sua Memória, na altura do termo desta etapa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Nossa Starlette

Posted by PicasaJá a tinha homenageado, noutra encarnação. Não seria a melhor actriz do Mundo e estava condicionada pela imperatividade de participação em comédias musicadas, para que lhe espremiam o talento que tivesse. Mas possuía algo que leva a sonhar muito mais, a Beleza que nos fazia passar de cabeça erguida diante dos catálogos da Meca do Cinema. Milú faleceu hoje. A sua morte para a 7ª Arte tinha sido anunciada pela primeira vez quando decidira casar e abandonar as lides artísticas. O desmentido imediato ocorreu numa produção espanhola, «Es Peligroso Assomarse al Exterior», dirigida por Alexandre Ullôa, de onde retiro a imagem.
Possa a conservação no celulóide igualmente infirmar esta retirada da vida.