segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Luta e a Lama

Os Socialistas Franceses vivem o dilema de confiar na insistência de Madame Aubry, depois de lhe terem aturado, nas Presidenciais, a desistência. Devo, antes do mais, dizer da minha simpatia por Ségolène Royal durante a campanha, libertando a Esquerda dos seus chavões iracundos, autonomizando-se do esmagamento pelas orientações da direcção partidária e não deixando que a vida pessoal se misturasse com a política. Tudo isso ruiu. Depois da derrota, a união de facto com Hollande, 1º Secretário cessante, degradou-se, muito por causa das diferenças de estratégia, senão de ambições. Parece ter ficado fascinada por chefiar o partido, quando a sua maior força residia numa certa independência dele, embora nele. E até a mensagem supra-facciosa, de repente, se resume a um entendimento com Bayrou e o Centro, presumivelmente para lhes fazer o que Mitterand fez ao PCF.
Que resta, então? Um Hamou que é a cara jovem que serve de homem de palha às tristes baronias frentistas, que albergam desde algumas Maçonarias, aos graduados do Mitterandismo e a um exibicionismo nostálgico do Maio de 1968? As mensagens falidas que não pagam, fora dos militantes?
O propósito declarado deste congresso era eleger um líder credível contra Sarkozy. Com a credibilidade a resvalar pelo ralo do bidé das dissensões, o Presidente agradece.

5 comentários:

Mialgia de Esforço disse...

Nem mais, Meu Caro. Um partido que não se entende e Sarko agradece!
Onde é que eu já vi isto?

Também tenho uma certa simpatia pela D. Ségolène, que não no aspecto ideológico. Acho-a uma cabecinha fraquinha muito dada a gaffes, mas reconheço-lhe uma certa classe, do tipo uma Audrey Hepburn do séc. XXI.

Abraço.

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro Mialgia,
essa propensão para um certo disparatar valeu-lhe a perda do debate e da eleição, pois para o público, ao contrário dos comentadores, a inexperiência revelada foi, de facto penalizante. Mas o certo é que, por umas semanas, foi um raio de Sol naquela casa bafienta que vai sendo o monte de escombros socialistas pós-Mitterand, já que o poder que partilhou depois disso foi sob a égide de um político inenarrável na falta de aptidão para o papel, de nome Jospin.
Abraço

ariel disse...

Querido Paulo, está-se mesmo a ver que eu também gosto da Ségolène...:) não percebo porquê que o amigo mialgia diz que ela tem uma cabeça muito fraquinha. Pode ser dada a gafes, mas isso não tem nada a ver com ter a cabeça fraquinha... de facto foi uma lufada de ar fresco na
bafienta França. Mas não me parece que nos próximos 10 anos haja alguém para fazer frente a Sarkozy, que até teve artes de casar com uma "socialista"...

beijinho

Mike disse...

Caro Paulo, apoio-Te nessa simpatia confessada pela Ségolène Royal.
Abraço.

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Ariel,
com aquela Socialista, quem é que não casava? Foi o que me fartei de dizer na altura: nunca a Quinta República Francesa tve dois candidatos tão bons.

Meu Caro Mike,
uma Mulher bonita pode não Te levar à cova, mas à urna é trigo limpo farinha Amparo.
Beijinho e abraço