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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Vozes de Burro...

Uns quantos gays organizados têm a suprema lata de atacar o Presidente Eleito dos EUA por ele haver convidado um eclesiástico opositor da extensão do casamento ao mesmo sexo para um tradicional sermão inaugural. Nunca tinha ouvido falar neste religioso. Pelo que dizem, parece-me ter traços muito simpáticos, como os de promover o empenhamento social em minorar a infelicidade dos desmunidos e na permanência do nexo moral com a linhagem que nos fez.
Mas esta gente radicalizou-se facciosamente ao extremo e, de tanto o repetir, se calhar até já acredita que quem é contra o casamento homossexual é um inimigo dos que se "orientam " para esse lado. Era bem feito que todos os que assim são caluniados também viessem a crer nessa contrafacção das suas posições; e que passassem a agir em conformidade.
Pobre Obama, ainda nem tomou posse e já vê uma ostensiva tentativa unificadora passar por questão fracturante. Os radicais manifestantes da sexualidade minoritária querem estender ao Partido do Burro as suas práticas preferidas, está visto.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Outro Paraquedismo

A menina da foto tem hoje 51 anos e acha que ser, ou ter sido levada ao colo pelo Pai assassinado lhe dá o direito de ser Senadora. Caroline Kennedy fez chegar ao Governador de Nova Iorque uma nota sobranceira, manifestando interesse no cargo, passando alegremente por cima de muitos políticos experientes. É coisa lamentabilíssima. Como se sabe, não gosto de eleições com partidos envolvidos, porque tenho sempre a convicção de que acabarão por revelar-se... partidas. E de mau gosto. Mas para nomear livremente gente sem currículo, só Alguém que não tenha a sua legitimidade dependente de votos e a liberdade tolhida pela coleira de uma facção institucionalizada.
No sistema Norte-Americano até faz sentido que algumas pessoas virgens de exercício de cargos públicos cheguem a eles, os políticos profissionais e carreiristas acabam por cansar. Mas, na lógica do sistema, que sentido fará a opção por alguém que, não se apresentando a votos, só tem as credenciais familiares para ser seleccionada, contra outros?
A América, porque eram jovens, bem-parecidos e baleados, continua a sentir-se em dívida para com esta família, esquecendo-lhes as ligações à Mafia, a Guerra do Vietname e uma quantidade de escândalos de tamanho variável. Porém, será a promoção fora do espírito do regime a melhor forma de quitação?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O Grau Zero da Decência

O Caso do corruptíssimo Governador do Illinois é certamente grave, mas não me surpreende, a política partidocrática está cheia deles, como de favorecimentos análogos aos constantes desta triste lista. O baixo calão em que o indivíduo se exprimiu, querendo abichar uns trocos, menos me deixa de boca aberta, conhecendo o percurso da ruim peça. A ameaça de estrangular financeiramente um grande jornal entretanto falido, caso não lhe publicassem artigos favoráveis, menos me revolta, aquele homem público está bom para aquela imprensa, colaboracionista das mafiosas traficâncias da família Daley, na presidência da Câmara de Chicago.
O que tenho por inadmissível é a chantagem do sujeito, congelando prestações destinadas a um hospital de crianças, caso o director do estabelecimento não contribuísse para a sua recolha de fundos. A saúde da Miudagem deveria ser sagrada, até para semelhante celerado. E espero que encontre na prisão onde o depositem reclusos e guardas prisionais cujos filhos não possam ter sido tratados pela falta das verbas por ele recusadas. Creio que dessa conjunção de vontades poderia resultar a atmosfera ideal à redenção dele...

As criancinhas não servem só para tirar fotografias de campanha!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Na Tradição dos Gangsters

Há quem esteja ainda pior do que nós. No Estado do Illinois, cuja principal cidade é essa Chicago de celebérrimas criminais reminiscências, foi levado sob custódia policial o Governador Rod Blagoyevich, acusado de tentar vender a vaga senatorial do Presidente Eleito Obama, sendo a contrapartida procurada um emprego regiamente pago para si e outro para a sua Mulher. Acompanho a carreira deste político desde que era Congressista e é daqueles em que não me surpreende nem um pouquinho um desenvolvimento destes. É, aliás, um fado do homestate de Lincoln, o antecessor do detido, George Ryan, do partido contrário, que na Europa passa por herói em razão de ter imposto uma moratória às execuções das sentenças de morte, passeia-se hoje por uma penitenciária, acorrentado, devido a condenações por corrupção, remontando ao tempo em que era Secretário de Estado.
Quanto ao novo preso, já havia fortes indícios de ligação comprometedora a um outro condenado, Rezko, um próximo de Obama, sendo que a sua taxa aprovação era a mais baixa entre os 50 Governadores: 15%. Nem tudo é límpido, porém, naquele sistema, adequado ao País em que está, mas exalando problemas de parcialidade por todos os poros - o Acusador que dirigiu a investigação e a acção policial tem, confessadamente, ambições fortes a candidatar-se ao cargo do alegado corrupto.
E que eu mal pergunte, se uma das posições que o voraz político propunha como moeda de troca era um posto na nova Administração, como sai, sem ser chamuscado, o Gabinete de Transição do futuro senhor da Casa Branca? Ou a proposta foi feita a algum fantasma?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Contribuintes Que Cheiram Mal

Nunca fui entusiasta das ONG´s, não tanto por serem não-governamentais, antes por serem organizações. E por acreditar que a espontaneidade estruturada não leva a coisa boa, já que num mundo cheio de meios bélicos que superam o mero prolongamento do braço humano só algum cinismo pode contrabalançar a inocência ou perversidade excessiva de que são feitos esses grupos interventivos. Também por isso torci o nariz a um filme bonitinho e apelativo ao coração como era «O Fiel Jardineiro».
Quando, entretanto, grupos desses se dedicam a inscrever contributos para as campanhas dos políticos, perco de vez a pouca paciência que me resta, já que são maneiras de encapotar financiamentos que torneiam as regras. Assim, a herança que a Fundação Clinton quer passar à recolha de fundos do Presidente Eleito Obama. Alguém já tinha ouvido falar na Organização Mundial dos Lavabos? Não? Eu tão-pouco. Mas esta conjunção de vontades, estatutariamente dirigida para melhorar as condições dos WC´s do planeta, não encontrou aplicação mais urgente do que contribuir para a acção pública das figuras Democratas.
Alexandre Severo, na Roma Antiga, ordenou que os montantes tributados às prostitutas fossem usados para construir latrinas públicas que preservassem os edifícios da conspurcação a que os Romanos alegremente se dedicavam Limpava assim a Urbe e demonstrava demarcação trocista da origem daquele dinheiro. Está certo que nos dias de hoje não se deve procurar atribuir carácter infamante por tudo e por nada. Mas dada a vocação da entidade em (baixo) apreço, não seria de sugerir-lhes a limpeza e obras nas instalações de alívio no nosso País, de forma a torná-las locais mais aprazíveis? Até para evitar piadinhas aos candidatos a Estadista que beneficiaram de espírito tão daimoso...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Obama´s Bill

O Presidente Eleito Obama nomeou para Secretário do Comércio, um posto muito apetecido por todos os homens de negócios do País, pelos contactos que permite, um político veterano, o Governador do Novo México, Bill Richardson. Depois de Congressista e Enbaixador na ONU, fora Secretário da Energia de Clinton, donde tivera de sair, por causa de um pequeno escândalo. É, assim, algo misteriosa a escolha de alguém conhecido pela falta de escrúpulos e desmedida ambição. Os mais crédulos dirão que tal se deve à experiência do homem. Os que tenham mais olho, asseverarão que é tentativa de engraxar a Comunidade Hispânica. Mas a verdade pode ter outro sal: como o seleccionado é o recordista, inscrito no Guiness, de mais apertos de mão distribuídos numa só jornada de campanha eleitoral (quase 13.400 em oito horas), pode ter sido esse o factor decisivo. É que, sabendo-se como a tese mais aceite da origem da saudação retroage aos tempos medievais em que chefes militares celebravam os tratados de paz estreitando as mãos, mostrando simbolicamente que tinham deixado de empunhar as armas com que poderiam matar o outro, pode a nova Administração querer dar a entender ao Mundo que os acordos comerciais com os States terão deixado de ser mortíferos para os parceiros menores...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

...Se Dois Bush Incomodam Muita Gente,...

Três Bush incomodam muito mais. A história era com elefantes, mas como esse é o símbolo dos Republicanos os EUA, também não lhes vai mal. O Senador Mel Martinez, uma criatura do Presidente Cessante, sem vida política própria, anunciou que não se recanditará, daqui a dois anos. Está o caminho aberto para Jeb Bush, irmão mais novo do actual locatário da Casa Branca, chegar, em cargo de destaque, à esfera restrita de decisão de Washington. Como popular ex-Governador da Florida é o favorito na eleição para a correspondente vaga no Senado. Ao contrário do mano, que, apesar de a Europa pensar o contrário, vinha do Centro do Partido, de fora da política, sem pertencer à ala Direita ou à Esquerda Rockfelleriana, este é um reputado Conservador, ideólogo antes de ter passado à prática, embora não acompanhe a dureza anti-imigração de alguns.
Teremos a prazo um terceiro Chefe de Estado daquela família? Ai que a Ana Vidal hiberna...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Preto, Para Além da Circunstância

Já em anterior momento referi o embaraço em que me atolei por causa das conotações do claro-escuro na nossa linguagem. Esqueci-me todavia de abordar um ponto de actualíssima solicitação. Nos Estados Unidos o dia que se segue à Quinta-Feira de Acção de Graças, o de hoje, no ano presente, é chamado Black Friday, a partir da coloração contabilística que regista prejuízos a Vermelho e lucros a Negro. Parte-se de uma constatação de comportamentos tradicionais para uma esperança dos Comerciantes, traduzida em ver chegar o dia da corrida dos compradores às lojas, no início da época Natalícia. Algo positivo, por ninguém contestado.
A própria instituição da Acção de Graças, evocando uma ceia de gratidão para com Deus para com os Índios que ensinaram certas formas de cultivar a terra, transmutou-se naquilo que tendemos por cá a concentrar no Natal, o retorno ao convívio de Pais e Filhos, numa dimensão muitas vezes mais difícil do que a que do nosso lado predomina, em função das dimensões continentais do País. Ao Natal fica cometido um estatuto de festa de crianças, com a obrigatoriedade de consumo e desperdícios festivos, mais próximo do espírito do nosso Ano Novo.
Durante muito tempo pensei a adulteração da mensagem religiosa do Menino nascido ns palhinhas como mais uma manifestação do pior infantilismo materialista dos Norte-Americanos. Porém, observando a cada vez maior padronização aquisitiva e profana com que enformamos a Celebração Natalícia, second thoughts me ocorrem: a separação radical entre os dois tipos de comportamento não estará um passo à nossa frente, desprovidos que nos encontramos dessa válvula de segurança?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Chávez do Armário

As recentes eleições regionis e autárquicas venezuelanas deixaram-me a ruminar em três pontitos. Primo, a nossa abençoada Imprensa insistir em que os candidatos do partido do Presidente Chávez perderam nos estados mais ricos. Parece que querem dizer que a plutocracia levou de vencida os descamisados, ou antes, os depauperados camisas vermelhas Bolivaristas, quando o que se verifica é que a diminuição de votos ocorreu, sobretudo, nos subúrbios das grandes cidades, entre as populações menos abonadas.
Secondo: Há aliás um equívoco na imagem que se dá de Chávez, paralelo ao da consagração popular de Robin Hood. Faz-se de ambos uma reedição da figura do Zé do Telhado, roubadores de ricos para dar aos pobres. Ora, no caso do Britânico, o conflito subjacente estava muito mais próximo do que fundamentou o ideário Nacional-Socialista, com os Saxões pintados em tons mais claros, em luta contra os Normandos, vindos do Exterior, que se teriam apropriado da riqueza e do Poder. Repare-se que os aristocratas saxónicos que subsistiam nunca são descritos depreciativamente, enquanto que dos da outra cultura só se salva Ricardo Coração de Leão. Da mesma forma, o Político Sul-Americano encarna muito mais um revanchismo índio, que vem à tona em momentos de espontaneidade como a primeira reacção à reprimenda do Rei de Espanha. É esta característica que me parece explicar a simpatia que denota por Obama, um desforço da "pureza branca", quando muito me surpreenderia que ela fosse recíproca. E o discurso anti-predomínio dos anglo-americanos tem muitas semelhanças com o de Hitler, salvo nos momentos em que tentou entendimentos com eles, que lhe deixassem rédea solta. Tertio -Por último, o tamanho da constituição instrumental que o derrotado do fim de semana brandia. Comecei por estranhar a dimensão microscópica, mas, depois, percebi: é tentame de induzir as pessoas na confiança de que as alterações que quer fazer passar são mínimas...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Diplomacia do Dólar

Parece confirmado o novo rosto:Mas é velho nome, o mesmo associado a desastres arrasadores da ordem estatal em países como a Somália. Espera-se que a impensada política de demissão após a intromissão que levou ao preenchimento do vazio de Poder por salteadores costeiros não venha a reeditar-se na conivência que lhes proporcione presas ricas como vítimas sacrificiais que apaziguem. Se em vez de um policiamento odiado contra todas as forças emergentes e fragmentadas, tivessem restaurado a autoridade do aliado da véspera, Habré, deixado cair quando tido por desnecessário, nada desta ameaça teria ganho força. Agora, ao menos que consertem o mal que geraram.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Uma Questão de Propriedade

As declarações do Dr. Al Zawahiri são mais do que a necessidade de continuar a ter nos EUA uma cabeça de turco em que malhar Com efeito, que outra coisa poderia ele dizer, depois de o Presidente Eleito Obama ter prometido, como grande inovação relativamente à Administração Bush, em Política Externa... a captura de Bin Laden? Claro que novo, novo, só o resultado, a tentativa é mais do mesmo. E aquele é precisamente o que não se pode garantir.
Quanto às palavras do Egípcio, nem vale a pena lembrar o triste papel que os Árabes a que pertence desempenharam como pioneiros do tráfico de escravos negros. As suas próprias indicam que para ele e os seus o Negro livre é aquele que lhe obedeça. Um caso de disputa de propriedade, não de emancipação, por conseguinte.
Uma última nota: o Director da Cia produziu um testemunho em que reafirmava pela enésima vez que o líder da Al-Qaeda está vivo e cercado, enquanto funcionários seus, sob anonimato, expressaram a convicção de que se encontra morto. Não era preciso terem gasto tanto dinheiro com a Agência, se mo tivessem perguntado eu, fundadamente, teria podido assegurar que era uma dessas duas condições possíveis a do fugitivo. Estes espiões ainda são piores do que os astrólogos de que falava Voltaire, um dos quais previra que certo bebé chegaria à idade adulta, enquanto o outro opinava que ele estava para morrer: ao menos um dos dois estava sujeito a errar!

domingo, 16 de novembro de 2008

A Primeira Vaga

Não compreendo que vantagens curriculares apresenta Hillary para ser considerada para Secretária de Estado. Aquando da Presidência do Marido, o sector que acompanhou, com o intuito de reformar radicalmente, foi o da Saúde, com uma tal felicidade de actuação que devolveu o controlo do Congresso aos Republicanos, coisa que desconheciam desde os anos 1950´s. Como Senadora não tem assento no Comitê de Relações Exteriores, mas sim no do Ambiente, no de Saúde, Educação e Trabalho, no de Envelhecimento e no das Forças Armadas. Só se a experiência como Primeira Dama, viajando pelo planeta, contar para o efeito. Mas presumo que isso seja politicamente incorrectíssimo e até risível, mesmo para quem não seja feminista.
Percebo muito bem o entusiasmo que a possibilidade desperta entre os parlamentares Democratas: na Câmara dos Representantes - muito congressistazinho deve estar a fazer contas às chances que tem de ser elevado ao lugar a que Ms. Clinton teria de renunciar. E no Senado respirarão de alívio todos os que temem a notoriedade ganha por ela numa eventual disputa da liderança.
E quanto à vontade dela? Prémio de Consolação nem sequer é, esse seria a Vice-Presidência. Fazer História é impossível, já Albright ocupou a posição, abrindo-a às Mulheres. Desejo de servir seria muito mais preenchido pela fidelidade ao mandato eleitoral que tem para cumprir. Mas o próprio silêncio que ostenta e a possibilidade de se deixar entrevistar demonstram que está ansiosa por qualquer osso que lhe atirem. Caso se confirme a hipótese, nada de promissor nos espreita, com tal vocação...

domingo, 9 de novembro de 2008

Um Reduto da Família

Uma das coisas boas que a eleição americana nos deu foi o completo falhanço da esquerdice mais militante em congregar numa frente comum tudo o que, naquelas cabecinhas decididas, surge como perseguido. Fizeram a própria cama na Califórnia, onde o discurso que pretendia tornar o papel do eleitorado Negro e dos casamentos homossexuais uma luta convergente foi, precisamente, implodido pela rejeição dos votantes afro-americanos, os quais, acorrendo em maior número do que o habitual, presumivelmente para votar num dos seus, dominados pelos valores familiares de pastores moralmente conservadores, determinaram uma rotunda derrota aos revolucionários de algibeira.
Considero da máxima importância este fracasso da retórica equivalente à que o BE de cá regularmente tenta guindar a pressuposto das opções éticas. A convivência harmoniosa entre as etnias passa muito pela desconfiança que possa couraçar os alvos tidos como instrumentalizáveis por agitadores em vista a inverter os fundamentos perenes da Comunidade. O que lhes secará um tanto a vontade de continuarem a fraccionar, segundo critérios de cor.

sábado, 8 de novembro de 2008

Bond e o Seu Duplo

Que a Sagrada Família haja sido pintada com traços de etnias africanas em comunidades desse continente, vá que não vá, é a tirania do que se conhece proximamente, convergindo para O Que é susceptível de adoração universal, também temos vestígios do mesmo nas obras-primas renascentistas que colocam trajos da época em quadros vividos por Jesus. O que de todo fica por explicar é a coerência da produtora actual dos filmes do 007, que diz que um James Bond gay é impensável, por lhe contrariar o carácter, mas igual agente secreto negro é perspectivável, por causa do triunfo de Obama. O que se acharia extraordinário era tanto respeito pela personagem fazer tábua rasa da sua genealogia, helvético-escocesa, como Fleming bem determinou. Mas nestas mentalidades confusas o entusiasmo pelo desfecho eleitoral americano é tanto que querem à viva força transplantar um efeito Obama para o cinema de culto, não ignorando sequer a brisa corrente dos resultados dos referendos estaduais que interditaram casamentos à comunidade homo. A fantasia, corroborada por um Daniel Craig que, uma vez mais, demonstra nada perceber do personagem cuja pele veste, diz muito pouco do agente secreto mais famoso do Mundo. Mas bastante da ingénua adoração do ainda Senador do Illinois, que quer grudá-lo a tudo o que tenha sombra de qualidades. Mesmo que implique... um assassínio de... character.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Vencido

Apesar do grande respeito que tenho por Obama, bem no fundo, talvez ainda preferisse McCain. O passado de Herói da Guerra, e Grande Deficiente dela resultante é para mim mais essencial do que parece ser para os eleitores de um País que honra os seus feridos como já nenhum outro faz, mesmo considerando a dignidade britânica e a vinculação à herança Napoleónica que, nesse aspecto, sobrevive em França. Mas, se os Americanos incensam os seus Veteranos, exprimem um recorrente mal-estar em guindá-los à Presidência. Foi assim com Dole, voltou a sê-o agora, com os movimentos tolhidos pelas feridas de guerra a serem uma emblemática pouco caridosa das limitações que os votos lhes imponham. Não creio que qualquer outro Republicano no activo pudesse ter dado tanta luta como o Senador do Arizona, cuja heterodoxia parlamentar aumenta a estatura política. Mas os tempos não estavam para velhos e aleijados, ainda que mais corajosos nas posições ou gloriosos nas motivações dos entraves físicos. Face à incerteza angustiante das instituições económico-sociais, a maioria volta-se para o poder afirmativo do incerto que só uma imagem jovem e um discurso vigoroso dão.
Tiveram-no.

O Vencedor

Tinha a dúvida de que, sendo o obamismo um movimento, o Homem, que lhe é muito superior, não acabasse sufocado por ele, O primeiro sinal foi em contrário e alegra-me registá-lo. É normal fazer discursos de apelo à unidade, depois de uma corrida eleitoral, naquele País. Menos, já, é insistir na identidade partidária oposta de um predecessor dado como exemplo, qual o caso de Lincoln, do mesmo homestate do Presidente Eleito, mas da cor política contrária. E a retórica dominadora de que faz gala voltou a servi-lo, não sendo arrastado pela ritual gritaria do slogan célebre pela mole humana impaciente, antes retardando o momento em que o rifão era repetido, mas depois - e só depois - de o Orador dar o mote.
Aliás, esta entoação de yes we can trouxe um revivalismo religioso à campanha, é nitidamente um prática de serviço sacro. Só se falou desse aspecto para apontar ideologias das populações, ou dar conta dos males de que a companhia do radical Reverendo Wright poderiam trazer, eleitoralmente. Muito mais interessante, quanto a mim, seria auscultar a penetração que este modo tipicamente sacro-cultual permitiu, desde as comunidades ruralistas do Iowa, aos rombos no apartheid de facto que, até agora, vigorava estritamente entre os Baptistas do Sul, muito cortejados pela próxima Primeira Dama. Interessante, num País feito para reduto de uma Cristandade não-ortodoxa, que tais comportamentos surjam de um Político membro da Igreja Unitarista, a que procura congregar aspirações de Espiritualidade que não fazem questão do Cristianismo prévio, chegando mesmo a oferecer abrigo a ateus, coisa pouco pensável na Presidência, apesar do cepticismo de um Andrew Jackson.
Na prelecção da vitória vimos o segundo acto de autoridade bem sucedido de Obama. O primeiro foi a recusa em ceder às pressões para que escolhesse Hillary como vice. Talvez tenha aí começado a cimentar o triunfo que já desenhara ao transformar a rede de donativos da Internet que herdara de Dean numa poderosa máquina de recolha de fundos mais abrangente do que a que se resumisse à ala radical dos Democratas. Veremos se tantas esperanças não se virarão contra ele. Tenho a sensação de que é difícil um nível tão alto de expectativas, coisa de que Clinton e Bush não beneficiaram, deixar de cair na desilusão extrema.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Erro de Cálculo

Tenho como certo que a Política Externa americana não irá mudar, com a eleição de hoje. Mesmo a retirada do Iraque é algo que a actual Administração já programou, embora com calendarização menos apressada do que a que o Senador Obama defende. No que toca ao Irão e à América Latina, aposto como não haverá alterações, ao ponto de o favorito presidencial chegar a sugerir a manutenção do Secretário da Defesa em funções e de se apresentar de Powell ao lado. Por isso devemos buscar as atitudes expressas por Teerão e por Chávez na raiz psicológica da demonização que empreendem. Quando o regime da República Islâmica diz da Federação Americana ser, globalmente, o Grande Satã, encontra-se um corolário esperado na indiferença perante a pugna eleitoral de hoje. Ao contrário, Chávez, porque canalizou toda a sua pitoresca diabolização contra Bush, opta claramente pelo parlamentar do Illinois, ao ponto de chegar irrealisticamente a manifestar esperanças de que ele revogue o embargo que só prejudica inocentes e o Papa João Paulo II, em devido tempo, condenou. A mim, o que parece mais estranho é tanta fé depositada num político que vai fazendo tudo para se vender como um novo Kennedy: é que foi precisamente este que ordenou o bloqueio!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

À Tio Patinhas

Uma coisa que me irrita solenemente é ver a Miudagem ataviada de bruxa, monstro ou fantasma, no 31 de Outubro. O Halloween, por cá, é clara rendição ao poder mediático das tradições anglo-saxónicas, que não reconhecem, salvo em meia-dúzia de cidades com Nova Orleães à cabeça, a importância simbólica e costumeira do Carnaval, período que também não aprecio, mas que, ao menos, é nosso. Deixarmo-nos penetrar por uma fantasmagórica crença irlandesa, ampliada recentemente nos States, é uma forma mais de nos desvincularmos da nossa Herança. E a duplicação de práticas atenta contra o carácter único que informa a essência do Adeus à Carne.
Mas sucede que hoje é também o Dia Mundial da Poupança. E conjugando a atmosfera de crise financeira com a palhaçada de Doce ou Partida! que se quer ensinar às crianças, sugiro esta fantasia. Quem se atreveria a resistir? O garoto que a envergasse teria por garantida a barrigada...


Abençoado incitamento a poupar, que me permitiu concentrar dois temas num só post!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Powell Source

Toda a gente repete em Portugal o que alguns alarmistas eleitorais americanos cognominaram de Efeito Bradley, a discrepância prejudicial a candidatos negros entre as intenções declaradas nas sondagens por eleitores brancos e os votos expressos nas urnas. Alguns, bastante articuladamente, como Manuel de Lucena, não vêem facilmente a votação de acordo com os propósitos expressos, nos Estados do Sul. Talvez, mas não é desses que Obama precisa para ganhar. E se a eleição que vitimou Tom Bradley ocorreu na Califórnia, Estado sem aversões étnicas de tomo, a raça desempenhou um papel, sim senhor, mas não de animosidade ou desconfiança face aos Afro-americanos. É que o Governador eleito, Deukmejian, era Arménio e esta Comunidade, de uma elite negociante propensa a ocupar cargos públicos de destaque em países maioritariamente hostis, tem muitos traços em comum com a Judaica, como lembrou Maria Filomena Mónica num ensaio sobre Gulbenkian. No caso, votaram todos no seu, um Republicano, apesar de normalmente apoiarem os Democratas. E a diferença de votos foi mais ou menos a da totalidade de originários daquele País, no Golden State.
O que é interessante é que Obama tem feito tudo para não sublinhar a sua condição racial, até contra apoiantes seus, veteranos activistas das campanhas de Luther King, por exemplo, o Congressista Lewis, da Geórgia. Aliás, é um tanto irónico ser agora apoiado por Powell, já que vocais agitadores contra o domínio branco Norte-Americano, os acusam de "traição" ao espírito das suas raízes, um por ser extracção da elite de Harvard, o outro por ter atingido o topo da hierarquia militar. Como se o Exército e a Educação não tivessem sido os ambientes pioneiros da integração...
O que Powell traz a Obama é uma caução de que com ele os EUA não deixarão de intervir, segundo as suas necessidades. O candidato, de resto, reafirma-o, só que quer desviar recursos do Iraque para o Afeganistão e, intermitentemente, para a Coreia. Os Americanos não ligam, já que a crise os faz pensar quase exclusivamente na Economia. E os Europeus? Porque assim vêem os aliados de Além-mar afastar-se um pouco mais para Leste?