terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fim de um Mundo

Em 11 de Novembro de 1918 assinava-se o armistício que pôs termo à Grande Guerra, a 1ª que se ensaiou como Mundial. Daí resultariam os tratados que destruíram a benevolente Pax Habsburguica e fizeram de uma Alemanha mutilada, mas não reduzida à incapacidade, o ressabiamento que espreitava a cada esquina a vingança de um tratamento sem precedentes. Com a tristemente célebre Revolução Francesa já se tinha evacuado o espírito de Fontenoy, em que as elites de ambos os lados trocavam cortesias sobre quem dispararia primeiro, sem que por isso se renunciasse à mortandade inerente a qualquer combate. Mas ainda se preservara um tanto as aparências, com um criminoso de tacticismo genial, o primeiro Bonaparte, a ser tratado com algum respeito na derrota. Agora, era outra página que se virava, depois da invasão da técnica massificadora de sacrifícios. Potências extra-europeias davam-se ao luxo de se aliar ao mais remoído dos revanchismos na arbtrariedade do desenho de fronteiras, como na exigência de penalização dos dirigentes dos vencidos. Clemenceau, mais tarde, na Academia Francesa, perguntaria a Anatole France o que achava das condições impostas à Alemanha, pelo Tratado de Versalhes. A resposta foi: criásteis a maior arma para a guerra futura.


Os Veteranos das trincheiras produziram uma elite cultural que não se queria semelhante a qualquer grupo sem aquela experiência partilhada. Estava aberto o caminho para uma Tragédia maior, de que ainda vamos pagando umas sobras.

5 comentários:

cristina ribeiro disse...

Viu longe, Anatole France. Tamanha humilhação...; os Responsáveis políticos foram tudo menos responsáveis.
Beijo, Paulo

Mialgia de Esforço disse...

Na mouche, Meu Caro! As relações mal resolvidas têm sempre sequelas...

Patti disse...

"War does not determine who is right - only who is left."

~Bertrand Russell

Once disse...

.. e porque de facto destruir e dizimar não é vencer. Muito pelo contrário.

Que o mundo não esqueça as lições, que são tantas .. !

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Cristina,
e hoje, devolvida à procedência a criatividade fronteiriça, os poderes dominantes na impotência que é a UE continuam com a tendência parac desmembrar, afrotando. Falo do modo absolutamente unqualificável como vem sendo tratada a Sérvia, na questão Kosovar. E nem é país pelo qual tenha simpatia.

Meu Caro Mialgia,
ao reconhecerem o princípio das nacionalidades, para darem cabo do Império Austro-Húngaro, legitimaram as reivindicaões hitlerianas de integração das zonas dispersas de maioria germanica. E ainda hoje as alterações de equilíbrio mais perigosas provêm dessa leviandade.

Querida Patti, grande citação. Esta teve ainda a adicional perversão de fortalecer, prolongando-o, o conflito de gerações entre os que tinham decidido o conflito e os que serviram de carne para canhão, sem motifo justificativo.

Querida Once,
são. Mas o Homem é duro de ouvido, ou de mioleira, não quer aprender.
beijinhos e abraço