Sabe quem me segue há mais tempo da minha raiva surda, nas fronteiras da patologia, aos telefones. Cheguei a publicar um artigo primordialmente assestado ao perigo de servidão ínsito no uso de telemóveis, mas em que não poupava os antecessores de fio. E o tempo parece apostado em dar-me razão, como provam as últimas notícias.
Na campanha eleitoral norte-americana chegou-se à degradação do eleitor a que se pede a confiança, com a triste moda dos telefonemas-robô, mensagens pré-gravadas, automaticamente enviadas para os números dos cidadãos tidos como terreno fértil. Se algum candidato, nos EUA ou na Patagónia, tivesse a lata de pôr um aparelho a tentar convencer-me da bondade do seu programa, com uma mensagem feita para um qualquer, imediatamente ficaria excluído das hipóteses de obter a minha preferência. Ou então, a terra a quem a trabalha, toca a eleger aquele que deu o litro!
Na campanha eleitoral norte-americana chegou-se à degradação do eleitor a que se pede a confiança, com a triste moda dos telefonemas-robô, mensagens pré-gravadas, automaticamente enviadas para os números dos cidadãos tidos como terreno fértil. Se algum candidato, nos EUA ou na Patagónia, tivesse a lata de pôr um aparelho a tentar convencer-me da bondade do seu programa, com uma mensagem feita para um qualquer, imediatamente ficaria excluído das hipóteses de obter a minha preferência. Ou então, a terra a quem a trabalha, toca a eleger aquele que deu o litro!
Por outro lado, alertam-nos para a quase inevitabilidade de, com o aumento da componente de inteligência artificial dos telemóveis, estes virem a ser uma mina para os hackers, os piratas informáticos inseminadores de vírus, já que estão mais desprotegidos do que os computadores clássicos. Cada vez mais me convenço de que, tirando os progressos da Medicina, a única invenção de jeito, desde a Antiguidade Clássica, foi o autoclismo. Em matéria de telecomunicações, caminho a passos largos para acreditar que o estado ideal é o antevisto nesta premonitória pintura de Chamine: Desligado.Sejam os bucaneiros os da Política, ou os dos teclados, não há dúvida de que a nossa paciência está a saque.

