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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lá Vai Lisboa!

Dois Candidatos, de Mark De Muro
O recurso a imagens pelos Políticos é quase tão divertido como a tentativa de os futebolistas empregarem correctamente adágios. O Dr. Costa lembrou-se de comparar a escolha oposicionista do Dr. Santana para concorrer com ele com a fábula da Cigarra e da Formiga. Ora, eu nunca ouvi acusar o ex-Primeiro Ministro de não fazer coisas, pelo contrário, os seus mais veementes críticos acusavam-no de fazer as erradas. Enquanto que a Cigarrita se tinha entretido de papo para o ar. Não creio que o actual Edil se estivesse a comparar a ela, sabendo-se como o desfecho lhe foi desfavorável, mas até se poderia achar-lhes algumas parecenças: afinal, antes do período das dificuldades, o autarca pôs-se a cantar, de galo, muito embora.
Entretanto, afirma-se no PSD que o nome do antigo líder é consensual. Não sei se isso lhe fará bem, os melhores resultados no Passado foram sempre conseguidos contra ventos e marés, no próprio partido. Os mesmos que tenho a certeza de continuarem a existir, mas que se calam por acreditarem na derrota e no enterro definitivo da figura que tanto as incomoda. Se eu tivesse um euro por cada notável laranja que está à coca de uma humilhação eleitoral de PSL, ainda faria umas almoçaradas valentes.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

La(nça)mentos

Estátua do Atirador de Bebés, no Parque Vigeland, em Oslo
Fico banzado com as certezas de alguns políticos. Assim com a do Eng. Cravinho, corrigindo o veneno lançado por um político do Passado cujo nome não quero recordar. Como pode ele estar tão seguro de que neste Cantinho cada vez mais murcho e atrofiado não venha a eclodir uma explosão de descontentamento semelhante à da Grécia?
Não procurei as explicações nos jornais do dia. Esses, quando muito, servem para repetir palavras e constatações. Para alguma coisa ser dilucidada é preciso recorrer a taumaturgias mais radicadas na Tradição Popular, por exemplo.
E dei, num alfarrábio de 1909, com a forma como no Algarve se tornavam mansas as crianças de peito, levndo-as as mães no Dia de S. Marcos às ermidas onde é venerado o Santo, encostando então as cabecitas dos pequerruchos à do boi do Evangelista. Mas com a particularidade de, sendo elas raquíticas e enfezadas, atribuindo-o a bruxas que lhes sugariam o sangue, as terem seguidamente de conduzir a uma encruzilhada com gente da povoação reunida à volta de fogueira, onde um homem que se há-de chamar sempre Manuel o petiz atirará para os braços de uma Mulher que será sempre uma Maria, devolvendo-o esta da mesma forma, ambos gritando à sua vez: Toma lá M, este engatilhado, este ensarilhado, este engatado. Repetem a prática nas duas encruzilhadas seguintes, ficando o tenro aremessado manso e livre.
Ocorreu-me logo que o bebé se chamasse Portugal e o Manel e a Maria da circunstância fossem PS e PSD, alternando o porte do pequeno. Com a incompetência dos políticos da partidocracia, não admira que só tenham conseguido a metade da cura que mais lhes interessava - ficámos realmente mansos, mas continuamos engatados. Não creio em bruxas, mas que as há...
E com certeza reforçada fiquei da minha interpretação, ao saber da data em que o Pobre S. Marcos é celebrado, mais um martírio a que não O poupam. Convido todos os meus Leitores a abrirem a caixa de comentários, onde, no primeiro, a desvendarei.

Outro Paraquedismo

A menina da foto tem hoje 51 anos e acha que ser, ou ter sido levada ao colo pelo Pai assassinado lhe dá o direito de ser Senadora. Caroline Kennedy fez chegar ao Governador de Nova Iorque uma nota sobranceira, manifestando interesse no cargo, passando alegremente por cima de muitos políticos experientes. É coisa lamentabilíssima. Como se sabe, não gosto de eleições com partidos envolvidos, porque tenho sempre a convicção de que acabarão por revelar-se... partidas. E de mau gosto. Mas para nomear livremente gente sem currículo, só Alguém que não tenha a sua legitimidade dependente de votos e a liberdade tolhida pela coleira de uma facção institucionalizada.
No sistema Norte-Americano até faz sentido que algumas pessoas virgens de exercício de cargos públicos cheguem a eles, os políticos profissionais e carreiristas acabam por cansar. Mas, na lógica do sistema, que sentido fará a opção por alguém que, não se apresentando a votos, só tem as credenciais familiares para ser seleccionada, contra outros?
A América, porque eram jovens, bem-parecidos e baleados, continua a sentir-se em dívida para com esta família, esquecendo-lhes as ligações à Mafia, a Guerra do Vietname e uma quantidade de escândalos de tamanho variável. Porém, será a promoção fora do espírito do regime a melhor forma de quitação?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Apontar é Feio

O Sr. Sócrates não precisava de mobilizar apoiantes na Burguesia, pelo que nos podemos interrogar por que carga de água resolveu culpar o PCP (o outro) da organização de protestos na margem Sul. Com efeito, em vastos estratos da população daquela área o que o falador político tenderia a pretender semente de repulsa pode, mais provavelmente, dar em fortalecimento da ligação entre massas agastadas com o P-M e a força política a que foi atribuída a iniciativa de resistência a ele.
Entretanto, creio que o jogo é outro - o de lembrar à Esquerda do seu próprio partido que as regras de oposição dos Comunistas são diversas das suas, bem como de fortalecer um gregarismo em torno da etiqueta atacada na rua. É um Democrata, com o "nós e os outros" sempre na boca, a compensar a fachada do "interesse do País".

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Trinta Por Uma Linha

Quando a legitimidade de ocupação de um lugar é pessoal, como nos EUA, em que o nome e o eleitor interagem fora do falseamento de listas, poderá dizer-se que o eleito é "dono" do assento e as suas faltas apenas dizem respeito aos votantes e à explicação por eles aceite ou não.
Quando se deve a posição a um grupo político, faltando a votação importante, está-se a mostrar inaptidão para o cargo: com efeito, quantos dos nossos deputados fazem, visivelmente, mais do que levantar-se e sentar-se nas votações?
Só que eu, pondo-me nos sapatos d´outrem, até compreendo os trinta absentistas que colocaram em dificuldades o Líder Rangel - aquele antro ganhou má fama e eles querem ver-se associados à enorme barraca o menos que lhes for possível. Lembremos a definição do S. Bento par(a)lamentar, segundo Garcia Loureiro:
Espécie de casa de passe onde se levam alferes ingénuos por engano.
A ilustração é O Princípio da Ausência, de Ruth Maddison

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Vi(d)as Paralelas

À Esquerda, a forma como Valença viu a política democrática em 1925. Cliquem para aumentar e notem, por obséquio, a impressionante coincidência com o diagnóstico que a Ana Vidal exprimiu no comentário a este postal, mas que a muitos mais de nós ocorreu. E depois venham dizer que o problema está nos homens do momento e não no regime de partidos...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Instinto Fatal

Vendo as turras entre ex-Estalinistas e ex-Trotskistas que resultaram de mais um congreso Comunista, pareceu-me adequado o título deste postal. Mais que não fosse, por haver um picador de gelo metido ao barulho, aquele com que a referência histórica renegada de uns fez matar a referência histórica olvidada dos outros. Mas o mais interessante é notar-se uma transferência do Complexo de Solidão. Sentindo-se em fase crescente, o PCP (o outro, não o que assina) oferece-se para ir a votos a solo, embora sob a etiqueta anódina da CDU, que é, para eles, o horizonte do gregarismo, ao deixar cair a exortação à frente com os Socialistas e outros Democratas contra as políticas da Reacção. Enquanto que o BE desejaria entendimentos em nome da Unidade da Esquerda, suspeito de que pela cristalina razão de acreditar ter, no actual modelo, atingido o limite de progressão eleitoral, ao menos enquanto Manuel Alegre continuar a polarizar desconfianças gauchistes contra Sócrates.
Tanto como ver a luta de massas, instrumental mas cavalgada entusiasticamente, tomar o lugar da luta de classes da teoria, é curioso constatar como todos os princípios cedem perante a pulsão tremenda das perspectivas das urnas. O que nos leva de volta ao título, embora noutra acepção a da inelutabilidade da preponderância da expectativa de votos sobre o ideário.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Dependência da Parúsia

Ambição, de Michel de RooijEstas expressões valem o que valem, mas sempre concordara com a força do dito do Professor Marcelo sobre nova candidatura sua à liderança do PSD. É que se Cristo descesse à Terra, o mundo tornar-se-ia pequeno demais para Ele e para as intrigas da política partidária. Todavia, numa recaída do despudor da vaidade, vê-se que a concepção que o Comentador tem dessa Segunda Via da Encarnação depende da própria vontade do putativo candidato e tem balizas temporais de oportunidade política. Como a cobra que não quer pregar no deserto onde estão semeadas lideranças, mas em túmulos, e ambiciona estreitar a relação com o mecanismo amplificador que lhe permia dar música a uma audiência vasta.
Numa coisa concordo, se voltasse a ser esta a condução Social-Democrata, seria péssimo sinal. As segundas oportunidades ao fracasso não auguram coisa boa, por muito que se tentem enfeitar com um paralelo à Nova Vinda do Salvador.

domingo, 23 de novembro de 2008

Graus de Obediência

Aplaudo a inicitiva, mas duvido da eficácia da recomendação do associativismo profissional Parece evidente que a função de julgar é pouco compatível com os juramentos de entreajuda aos membros de filiações como a do título, sem perda de imparcialidade. E isto para acolher a versão mais benigna, a que não detecte conluios de apropriação do Poder, em diversos níveis. Mas a própria Igreja, aparentemente dotada de meios mais convincentes de conformação espiritual, não conseguiu impedir muitos católicos de se agregarem a inimigos seus, dentro das lojas maçónicas, apesar de, desde 1738, continuadamente, vários Papas, com especial realce clarificador pra Leão XIII na Bula Humanum Genus, proibirem aos Católicos, sob pena de excomunhão, a pertença a essa organização. Onde falharam injunções destas, quem acredita que triunfem bem-intencionadas recomendações parasindicais? Se os pedreiros livres já não se revestem do carácter caviloso de outrora, ainda funcionarão como agência de emprego. Ou instância favorecedora de promoção nas carreiras mais respeitáveis, como no caso.

sábado, 22 de novembro de 2008

As Vozes do Silêncio

Venho dando tratos de polé à capacidade especulativa para tentar perceber a atitude da maioria PS, de silenciar politicamente o Dr. Loureiro, não aprovando a audição parlamentar, no escuro negócio do BPN. A desculpa oficial, de estar a ser investigdo judicialmente, não colhe, pois nunca foi impedimento de diligências parlamentares paralelas, com Camarate à cabeça, até sob a voluntarista forma de Inquérito, quando, aqui, apenas se pedia que escutassem. Uma hipótese óbvia é a de pensar o partido do Governo lucrar mais com a suspeita sobre figuras do principal rival, comparativamente com o cenário de esclarecimentos que poderia obter uma comissão dedicada.
Porém, numa publicação de 1885, encontro narrada uma tradição de Tavira que talvez ajude a compreender. É a de fazer silêncio.
Quando uma Mulher daquela região queria obter indicação acerca de se realizar ou não alguma coisa pensada, prometia fazer um silêncio a Santo da sua devoção. Pedia a uma amiga ou parente que a acompanhasse e saíam as duas, sem trocar palavra uma com a outra ou com mais alguém que passasse, na noite de Quinta-feira, repetindo-o na de Sexta e na do Sábado, depois de uma reza ao Venerado em que se diz Senhor(a) Fulano(a), a Graça sois e graça me dais, pelo amor de Deus, peço ao Senhor Jesus Cristo que me deis a mostrar pelas vozes do povo se...
Dirigiam-se à capela em que se cultuava aquele Intercessor e, pelo caminho, a interessada ia rezando 100 Ave-Marias, enquanto a acompanhante tomava nota de todas as conversas que ouviam e daquelas em que entravam expressões como "sim, é possível, de certeza" e as que faziam soar "não, nem pensar", nunca", como convicções de força semelhante. De igual forma procedem no regresso, em cada um dos três dias citados. Depois somam as notas e, consoante as declarações pela positiva ou pela negativa predominem, têm a resposta ao que procuravam.
Eu já tenho dúvidas quanto a oráculos de iluminados. Elas aumentam, em passando a responsabilidade para a uma rudimentar Democracia. Mas admito que um raciocínio paralelo, preso a estas reminiscências do Oculto, tenha imperado nas mentes dos parlamentares ainda na mó de cima. E que no íntimo peçam à República, muito laicamente que lhes aclare o Passado como as Jovens Algarvias pediam aos Santinhos que lhes dessem a conhecer o Futuro. É que qualquer outra justificação ainda parece mais esfarrapada ao pé desta!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Dita Dura Verdade

A Ditadura é Instituída Para Situações de Crise, de Augustyn Mirys
Devo dizer que não culpo qualquer um dos que não viram ironia nesta frase. Dizia Schlegel que a Ironia é a forma do paradoxo e, aqui, de paradoxal, nicles! Não só porque parece evidente que com a rotina democrática nada se resolve em momento de dificuldade, como por a Ditadura ter sido uma instituição genuinamente democrática, da Roma Antiga, uma magistratura comissarial de curta duração para trazer ordem a onde só havia caos. Por isso me oponho a ambas as formas deste mesmo regime, seja o cheque em branco numa etiqueta, seja o endossar dele a um indivíduo, sem perspectiva de durabilidade, ou vigilância superior, que é muito diferente da tirania da popularidade para os demagogos se exercitarem de quatro em quatro anos.
Mas, lá está, quem é que podia descobrir ironia na saída tão comentada? A não ser em considerar a suspensão coisa estranha ao conceito de Democracia...

De Costa às Costas

Este Enigmático Troll da Ponte lembrou-me o Dr. António Costa. Por causa da sua iniciativa em intimar o Ministro Lino, o das definitividades provisórias, a alterar a nova via suspensa em aspectos vários. Indo à substãncia da questão, não vejo que a altura fizesse grande mossa. Estou cansado de ler prevenções arquitectónicas contra travessias aéreas deste jaez e o resultado, invariavelmente, até beneficia a paisagem, veja-se por todos o caso da de Alcântara, para além de a amplitude da bacia do Tejo me parecer aguentar bem este novo elemento, mesmo se as imagens do projecto me sugerem as de um duplo da Vasco da Gama. Biologicamente poderá ser lesiva para o rio, mas não é disso que o Edil alfacinha trata.
O problema dos acessos já entendo. Quanto ao percurso que faça, as alterações têm alguma lógica, numa zona um tanto atravancada. Mas surgem-me umas certas dúvidas sobre a vantagem de a entrada se fazer em túnel, não só pela conhecida propensão sísmica da região, como porque a cidade, de tanto esburacada que vai estando no subsolo, qualquer dia apresentar dificuldades a expansões futuras do Metropolitano.
E chegamos ao essencial, quer dizer, o enigma do estardalhaço com que o Presidente da CML divergiu do Governo que já integrou. Numa altura em que este começa a suscitar vagas de contestação, por enquanto ainda localizadas, mas de dimensão, o facto de, como rezava musiquinha do meu tempo de menino e moço, a ponte ser uma passagem para a outra margem não configurará a demarcação que preserve popularidade e constitua alternativa? Com esta desconfiança a inundar-me, compreenderão que não haja intitulado o postalinho "De Costa a Costa". E daí...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Se Levantam Cabelo...

Muitos haverá que pensam estar o Primeiro-Ministro apenas a fazer o que sabe, atirar areia para os olhos da maioria das Pessoas, ou seja, escudado nas limitações regulamentares que são impostas às manifestações dos Militares, tentar ser acreditado no apoio que diz ser por eles testemunhado à sua política sectorial.
Eu creio coisa pior, numa ameaça de maiores cortes, caso muitas vozes graduadas insistam em resmungar. É que o orador sabe bem que as demonstrações castrenses poderão ser muito mais imediatamente consequentes, mas só em sistemas onde as chefias não estejam domesticadas. E confia em que o amestramento destas as fará suportar tudo e mais alguma coisa, como que em mais um sacrifício. Se não pela Pátria, pela carreira, porque sendo a Primeira dificilmente exergável por detrás da actuação do governante, a outra depende sempre de quem segure as rédeas, no momento.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Carro Adiante dos Bois

O Símbolo da Utopia, de Paul LafolleyOs dirigentes Socialistas podiam ter-se contentado em dizer que Manuel Alegre é um Homem e que Lhe preferem um cartão, mas, provavelmente para fazerem o Público perder de vista essa para eles pouco lisonjeira dicotomia, tinham de se enredar no que não percebem e chamar-lhe um contributo dialéctico. Contudo, como acrescentam que ele terá de decidir se está ou não disposto a submeter-se à estratégia do partido, vê-se que a noção que aquela gente tem de Dialéctica passa por colocar a Síntese antes, quer cronologicamente, quer por ordem de importância, da Tese e da Antítese. Ou seja, a eterna ambição dos medíocres, reduzir todos Os que tenham sombra de querer ao menor denominador comum do transigir.

A Luta e a Lama

Os Socialistas Franceses vivem o dilema de confiar na insistência de Madame Aubry, depois de lhe terem aturado, nas Presidenciais, a desistência. Devo, antes do mais, dizer da minha simpatia por Ségolène Royal durante a campanha, libertando a Esquerda dos seus chavões iracundos, autonomizando-se do esmagamento pelas orientações da direcção partidária e não deixando que a vida pessoal se misturasse com a política. Tudo isso ruiu. Depois da derrota, a união de facto com Hollande, 1º Secretário cessante, degradou-se, muito por causa das diferenças de estratégia, senão de ambições. Parece ter ficado fascinada por chefiar o partido, quando a sua maior força residia numa certa independência dele, embora nele. E até a mensagem supra-facciosa, de repente, se resume a um entendimento com Bayrou e o Centro, presumivelmente para lhes fazer o que Mitterand fez ao PCF.
Que resta, então? Um Hamou que é a cara jovem que serve de homem de palha às tristes baronias frentistas, que albergam desde algumas Maçonarias, aos graduados do Mitterandismo e a um exibicionismo nostálgico do Maio de 1968? As mensagens falidas que não pagam, fora dos militantes?
O propósito declarado deste congresso era eleger um líder credível contra Sarkozy. Com a credibilidade a resvalar pelo ralo do bidé das dissensões, o Presidente agradece.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Batam Mais no Ceguinho

Alvaro Torres garante que este é um retrato que fez de Rip Van Winkle, mas creio que há confusão de identidades, trata-se de iconografia do Governador Constâncio. Cada país tem o dorminhoco à sua dimensão: os Norte-Americanos ficaram com o personagem de Washingnon Irving, adormecido durante vinte anos, nós, mais pequeninos, contentamo-nos com Sexa, roncando durante uns meros oito. As pistas estavam na net, mas o Banco Nacional não deu por nada. Serão uns infloexcluídos? Assim já se percebe por que terá o patrão poupado em Magalhães para eles, quando tão pródigo foi para (outros) assessores. E a frase sinistramente arrogante deste mau pagador em processo desculpabilizante, segundo a qual a supervisão, mesmo que não descubra fraudes, faz muito, nada diz, por o muito e o pouco serem conceitos relativíssimos, ao pé do de bastante, que parece ter estado em completa falta.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poder Moderador

A Prudência e a Justiça, de PeruginoLeio sobre uma instituição chinesa que durou desde o século XI a.c.(!) até ao princípio do XX da nossa Era. O Tom-Tcha-Yang era um orgão de 36 membros, cujo nome significava O Tribunal que Vela Por Todos. Composto paritariamente por elementos das duas principais etnias do País, tinha o poder de modificar leis já promulgadas, segundo critérios de mérito, como de devolver ao Imperador decretos seus que achasse desconformes ao Direito, assim como apreciar todos os actos da Administração Pública, oficiosamente.
Grande vantagem haveria em ter nas partidocracias um travão de magistrados independentes deste tipo, que deixasse os politiqueiros facciosos condicionados por rédea curta. E, segundo consta, o prestígio dos que o integravam era incomensuravelmente maior do que o dos ministros. Imagine-se então se estes saíssem de cumplicidades organizadas sob rótulos, daquelas que se aguentam quando muito uma dezena de anos lá em cima...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Dobrar a Língua

O Sr. Sócrates fez uma confusão. Apesar de os dicionários consagrarem o sentido de aproveitamento das condições favoráveis para o termo oportunismo, o uso reservou o vocábulo para a conduta que tira proveito de vicissitudes resultantes de condições estranhas à acção de qualquer dos contendores políticos. Como uma tragédia natural, ou uma escassez determinada por circunstâncias independentes de decisões do Poder, por exemplo. Assim, classificar o apoio de partidos da oposição à luta dos Professores como oportunismo não tem cabimento, talvez ele quisesse antes dizer que era oportuno, o que, como se sabe, vem sendo raro. Porque do que se tratava era da contestação de uma medida do seu governo, errada, como noutro lado já opinei.
Outra asneira é crismar de lógica corporativa a defesa dos direitos dos professores, a qual, até pela forma que tomou, está muito mais próxima do procedimento sindical, embora com uma amplitude bastante maior. É que Corporativismo é a defesa de posições profissionais tendente a evitar o conflito; e a manifestação deste fim de semana vai sendo prova provada de que os estigmatizados pela acção da Ministra Maria de Lurdes estão mais do que dispostos a dar luta.

domingo, 9 de novembro de 2008

Um Reduto da Família

Uma das coisas boas que a eleição americana nos deu foi o completo falhanço da esquerdice mais militante em congregar numa frente comum tudo o que, naquelas cabecinhas decididas, surge como perseguido. Fizeram a própria cama na Califórnia, onde o discurso que pretendia tornar o papel do eleitorado Negro e dos casamentos homossexuais uma luta convergente foi, precisamente, implodido pela rejeição dos votantes afro-americanos, os quais, acorrendo em maior número do que o habitual, presumivelmente para votar num dos seus, dominados pelos valores familiares de pastores moralmente conservadores, determinaram uma rotunda derrota aos revolucionários de algibeira.
Considero da máxima importância este fracasso da retórica equivalente à que o BE de cá regularmente tenta guindar a pressuposto das opções éticas. A convivência harmoniosa entre as etnias passa muito pela desconfiança que possa couraçar os alvos tidos como instrumentalizáveis por agitadores em vista a inverter os fundamentos perenes da Comunidade. O que lhes secará um tanto a vontade de continuarem a fraccionar, segundo critérios de cor.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Casa Roubada

À primeira vista, até poderia concordar com as posições do BE, de se demarcar do apoio do Vereador Sá Fernandes a uma colega que se aproveitou de uma subvenção paga em espécie, qual seja a cedência de uma casa com contrapartidas irrisórias. Numa apreciaçõ superficial, até poderia endossar a vantagem em a acção de um autarca estar liberta de disciplinas, podendo governar com uns e apresentar iniciativas de outros. Mas para funcionar a sério esse estado ideal, seria preciso que as Vereações e Presidência camarárias não fossem eleitas em listas de partidos, mas sim "em nome individual". Porque, de contrário, os favores de pelouros e outras atribuições serão smpre pagos, na hora da verdade, com apoiozinhos solidários a ramas da força política que comanda, mesmo quando a Ética (a não ser que a Republicana seja um caso especial) imponha o contrário.
Mas deixo uma pergunta ingénua: a posição do Dr. Louçã, de não gostar mesmo nada mas continuar a apoiar o eleito, não é muito semelhante à deste, de estar com um pé na Maioria e outro na Oposição? Na esperança de, assim, não poder perder?