
Nestas coisas da Semântica, apesar de o Futebol encerrar como que um microclima, procuro sempre ter a humildade de estudar mais e de conceder uma certa Autoridade a Homens que até são Professores, como o treinador do Porto, Jesualdo Ferreira. Posto este preâmbulo, tenho de confessar o quão perplexo me senti com as
declarações fresquinhas sobre terem sido
atípicos os golos sofridos pelo futebol Clube do Porto, no presente campeonato. Tento esmiuçar a coisa e chego a quê? Que esta
atipicidade quer dizer "de bola parada". Mas então, não há muitos golos marcados assim? Há. Em que são, pois,
incaracterísticos? As diversas penalidades não fazem parte do jogo, às dezenas? Fazem.
Atípico, portanto, como sinónimo de não ser costume assinalar muitas contra aquele emblema? Nada, geraria suspeição dizer que os árbitros poupam a própria equipa e poderia ocasionar rigores no futuro imediato.
Abalancei-me, angustiado, ao dicionário. E no verbete correspondente vejo que se diz
atípico do fenómeno das febres intermitentes cujos acessos não têm regularidade. Era só um exercício de optimismo, o responsável queria dizer que o estado de coisas actual não se vai prolongar inalteradamente. O pior é que, até agora, já vai havendo uma consistência ininterrupta. Mas o sonho comanda a vida.
Assim se fala em bom Português.