
Muito gentil e oportunamente chamou-me a Patti a atenção para certa notícia. Qualquer amador de livros fica contristado, mas, para além disso, logo me interessou saber as motivações deste estranho personagem. O ar não é susceptível de tranquilizar quem quer que seja, mas exige-se de quem escreve um pouco mais do que imputar actos criminosos das pessoas às aparências respectivas.
A princípo, confesso o preconceito, ao constatar a origem iraniana do indivíduo, pensei que fosse uma espécie de terrorismo cultural, até porque os specimens mais atingidos pelos recortes assassinos eram obras que falavam da expansão Ocidental em terras hoje islamizadas.
Graças à net pude investigar um pouco mais e desenganar-me: pelos vistos, tratava-se apenas de uma patologia mental de coleccionador compulsivo. Por que será que não me admiro por aí além? Tenho, desde há muito, a noção de que quem se dedica ao coleccionismo está a um pequeno passo do crime. Eu próprio já me surpreendi a dizer a "concorrentes" que o livreiro tal nada tinha de interessante em certo dia, quando estava a abarrotar de volumes apetecíveis. E noutros vi coisa pior, até o furto.
Roubalheira não encontro neste caso, apesar de poder parecê-lo. Suspeito muito mais de um despeito dos mais desequilibrados, que, não podendo possuir exemplares únicos, mutila os que existem, para que mais ninguém os tenha. E que guarda as páginas amputadas como troféus dos seus êxitos malignos na senda da destruição.
A princípo, confesso o preconceito, ao constatar a origem iraniana do indivíduo, pensei que fosse uma espécie de terrorismo cultural, até porque os specimens mais atingidos pelos recortes assassinos eram obras que falavam da expansão Ocidental em terras hoje islamizadas.
Graças à net pude investigar um pouco mais e desenganar-me: pelos vistos, tratava-se apenas de uma patologia mental de coleccionador compulsivo. Por que será que não me admiro por aí além? Tenho, desde há muito, a noção de que quem se dedica ao coleccionismo está a um pequeno passo do crime. Eu próprio já me surpreendi a dizer a "concorrentes" que o livreiro tal nada tinha de interessante em certo dia, quando estava a abarrotar de volumes apetecíveis. E noutros vi coisa pior, até o furto.
Roubalheira não encontro neste caso, apesar de poder parecê-lo. Suspeito muito mais de um despeito dos mais desequilibrados, que, não podendo possuir exemplares únicos, mutila os que existem, para que mais ninguém os tenha. E que guarda as páginas amputadas como troféus dos seus êxitos malignos na senda da destruição.

No Dia da Pessoa com Deficiência outros farão melhor do que eu a exaltação da necessidade de comportamentos dignos para com os que foram atingidos por essas limitadoras infelicidades. Mas talvez não seja de todo descabido ver no Livro um símbolo do Homem. E nestes, irremediavelmente aleijados, um paradigma dos estropiamentos que resultam da maldade humana.


