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sábado, 20 de dezembro de 2008

A Ensinadela

Adquiri ontem um livro que procurava, desde os meus 17 anos. A justificação patrocinada por Pombal, extensa de 522 páginas, da reforma com que tornou a Universidade de Coimbra dócil, expulsando os Jesuítas que dominavam a Docência. O livro é de um facciosismo evidente e indescritível, que, visto à luz do nosso tempo, até passaria por ingénuo, caso não tivesse servido para fundar arbitrariedade. No afã de contrariar a Linha Aristotélica até aí predominante, chega a acusar ipsis verbis de monstruosidades os princípios filosóficos a abater e a atribuir-lhes fins conspirativos. Mas terá sido o tom tão sarrafeiro que levou ressabiados contra os Homens de Santo Inácio, como esse Latino Coelho precursor de propagandas malignas, a chamarem-lhe livro famoso, benemérito da civilização pátria.
Não consegui deixar de confrontar a tentativa de instrumentalizar a aquiescência dos súbditos contra os Veiculadores do Ensino, com a que nos nossos dias, embora com pressupostos diversos, tenta quebrar a espinha à classe professoral, tornada bode expiatório da incapacidade governamental de pôr de pé programas e estruturas à altura das necessidades do País.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Consulta de Borla

Bem sei que há sempre divergência entre Governo e Sindicatos acerca da expressão numérica de uma adesão à greve. Mas a insistência dos muchachos socráticos em dizerem trinta e três, a propósito da diferença relativa à versão das associações dos Professores, só vem corroborar a noção de que a reforma da Ministra está mais do que doente. E com tanta insatisfação, na sequência de um exame superficial da posição do Poder, parece evidente a qualquer leigo que o mal é garganta...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Gemada da Reforma

Em primeiro lugar, tenho de dizer que lançadores de ovos a figuras públicas deveriam ser expostos no pelourinho, para que a multidão transformasse os projécteis em boomerangs e os devolvesse, podres, como outrora.
Mesmo tratando-se da Ministra Lurdes, os brincalhões de Halloween para além da data não têm desculpa. Mas isso não impede que esteja aguardando, ansioso, uma nota conjunta do Ministério da Administração Interna e do da Educação, revelando que os arremessadores contra a Governante referida eram Professores disfarçados. É que se forem alunos, como vem noticiado, perde-se o alibi do Executivo, qual seja o de reformular os moldes da actividade docente para benefício de quem aprende. Se os que estudam estão contra as inovações tanto como os que ensinam, o único interessado nas novidades passa a ser o Conselho de Ministros. Que, com efeito, vem mostrando ter pouco a ensinar e menos ainda conseguir aprender.
O boneco abaixo não é da natureza das condenações que anteriormente citei. É um divertimento de feira, que permite atirar um ovo ao sujeito, desde que se page um euro. Pudesse eu pôr a titular da pasta da Educação neste preparo, como colaboradora numa empresa de local de diversões, teria a vidinha feita.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Dobrar a Língua

O Sr. Sócrates fez uma confusão. Apesar de os dicionários consagrarem o sentido de aproveitamento das condições favoráveis para o termo oportunismo, o uso reservou o vocábulo para a conduta que tira proveito de vicissitudes resultantes de condições estranhas à acção de qualquer dos contendores políticos. Como uma tragédia natural, ou uma escassez determinada por circunstâncias independentes de decisões do Poder, por exemplo. Assim, classificar o apoio de partidos da oposição à luta dos Professores como oportunismo não tem cabimento, talvez ele quisesse antes dizer que era oportuno, o que, como se sabe, vem sendo raro. Porque do que se tratava era da contestação de uma medida do seu governo, errada, como noutro lado já opinei.
Outra asneira é crismar de lógica corporativa a defesa dos direitos dos professores, a qual, até pela forma que tomou, está muito mais próxima do procedimento sindical, embora com uma amplitude bastante maior. É que Corporativismo é a defesa de posições profissionais tendente a evitar o conflito; e a manifestação deste fim de semana vai sendo prova provada de que os estigmatizados pela acção da Ministra Maria de Lurdes estão mais do que dispostos a dar luta.

domingo, 9 de novembro de 2008

Golpe no Mestre

O Professor Severo, de Jan SteenAntes do mais, devo confessar um preconceito: acredito que a única avaliação de desempenho de um professor digna desse nome é a observação do que os alunos dele vierem a ser na vida. Mas reconheço que, com a especialização e diversidade de disciplinas, seria sempre preciso isolar aquele que haja sido determinante, de todos os outros que se tenham dissolvido na poeira.
Se o afrontamento da classe docente empreendido metodicamente pelo governo socrático fosse apenas uma tentativa de melhorar o Ensino, seria uma lamentável falta de jeito, pois onde o segredo estaria na eliminação da rotina, mais não faria do que estabelecer outras - dispersivas e castradoras -, com fixações de objectivos e preocupações de carreira mais dignas de empresas do que do sacerdócio que educar deveria ser.
Estou, todavia, em crer que nos encontramos perante um exercício de demagogia refinado, prometendo a melhoria da Educação e criando um sistema impossível de aceitar, para não se vir a ser dado por culpado de nada fazer, quando, na prática, se abafa com a polémica a abstenção de cumprir o dever de selecção dos funcionários e de elaboração de programas com mais qualidade. O Sr. Sócrates nada arrisca, não só por as reacções adversas serem endereçadas à Ministra da tutela, sempre remodelável, como por a encravada simpatia pelo PS, dominante entre os que dão aulas, ameaçar sempre esgotar a contestação nos protestos, sem que extravase para os votos.
E mais, joga numa bodexpiatorização dos mestres, só possível pela alteração dos cuidados paternos na Sociedade actual. Quando os fedelhos passavam mais horas com as famílias, os progenitores apercebiam-se das mediocridades naturais da pouca idade e confiavam nos educadores quanto ao complemento da formação, aceitando a exigência como natural. Nestes tempos decadentes, para se desculparem da falta de disponibilidade para com os rebentos, acham-se dispostos a tomar partido por eles, uma vez surgida qualquer desinteligência na escola. Se somarmos isto a uma assimilação acéfala aos problemas de gigantismo ineficaz dos serviços do Ministério, estão criadas as condições para fazer do Professor um inimigo e aliar ao Primeiro Ministro uma ambicionada Maioria Silenciosa que o continue a sustentar.
Dirigente de juventudes partidárias, o Chefe do Executivo lá deve ter aprendido que dividir para reinar rende sempre dividendos. Onde o tiro lhe pode sair pela culatra é precisamente na horizontalidade que o ofício de transmitir os conhecimentos alcançou no Portugal de hoje. São em número incomparavelmente maior as famílias que têm um professor no seu seio, pelo que lhe ouvem as queixas e compreendem a gravidade. Ao ponto de muita gente que não a directamente interessada ter apoiado a megamanifestação anterior à de ontem. Os dados estão lançados.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pedagogia da Balança

O Ensino deve transmitir preceitos que ajudem à manutenção da Saúde, decerto. No caso da obesidade, parece importante que explique os valores alimentares e as tomas aconselháveis de cada género comestível. No que não posso concordar é na promoção de programas obcecados e obsessivos como este. Deixar as criancinhas sujeitas a um bombardeamento de imposições físicas, com o objectivo declarado de combater o aumento de peso, parece-me um perigoso resvalar para o Totalitarismo, que nem deixe à iniciativa de cada discente a margem de se construir, ao mesmo tempo que faz fermentar sentimentos de marginalização ainda mais humilhantes contra os que hajam nascido gordos.
Mesmo considerando o Futuro, parece-me um erro tremendo, a par do da extensão do tempo das aulas e do da multiplicação dos tempos preenchidos. Uma parece-me incompatível com a capacidade de concentração sustentada das nossas crianças. A outra uma clara tentativa de esmagar a acção da Igreja e ouftras instâncias extra-estatais. Ora, os conteúdos combinados destes dois parágrafos podem bem fazer com que os "revoltados contra a Escola", mais e em maior grau do que até aqui, se expressem preferencialmente, doravante, em corridas aos hamburgers, logo que soe a campaínha. E que os que aceitem os ditames passem a sofrer de monomania da fita métrica, podendo cair em estados de anorexia bastante mais previsíveis do que os causados pela mera ambição de ser manequim, sempre exclusiva de muitíssimo menos gente.
O nó do problema está na instilação da falácia que, jocosamente dá o título a este livro: