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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

La(nça)mentos

Estátua do Atirador de Bebés, no Parque Vigeland, em Oslo
Fico banzado com as certezas de alguns políticos. Assim com a do Eng. Cravinho, corrigindo o veneno lançado por um político do Passado cujo nome não quero recordar. Como pode ele estar tão seguro de que neste Cantinho cada vez mais murcho e atrofiado não venha a eclodir uma explosão de descontentamento semelhante à da Grécia?
Não procurei as explicações nos jornais do dia. Esses, quando muito, servem para repetir palavras e constatações. Para alguma coisa ser dilucidada é preciso recorrer a taumaturgias mais radicadas na Tradição Popular, por exemplo.
E dei, num alfarrábio de 1909, com a forma como no Algarve se tornavam mansas as crianças de peito, levndo-as as mães no Dia de S. Marcos às ermidas onde é venerado o Santo, encostando então as cabecitas dos pequerruchos à do boi do Evangelista. Mas com a particularidade de, sendo elas raquíticas e enfezadas, atribuindo-o a bruxas que lhes sugariam o sangue, as terem seguidamente de conduzir a uma encruzilhada com gente da povoação reunida à volta de fogueira, onde um homem que se há-de chamar sempre Manuel o petiz atirará para os braços de uma Mulher que será sempre uma Maria, devolvendo-o esta da mesma forma, ambos gritando à sua vez: Toma lá M, este engatilhado, este ensarilhado, este engatado. Repetem a prática nas duas encruzilhadas seguintes, ficando o tenro aremessado manso e livre.
Ocorreu-me logo que o bebé se chamasse Portugal e o Manel e a Maria da circunstância fossem PS e PSD, alternando o porte do pequeno. Com a incompetência dos políticos da partidocracia, não admira que só tenham conseguido a metade da cura que mais lhes interessava - ficámos realmente mansos, mas continuamos engatados. Não creio em bruxas, mas que as há...
E com certeza reforçada fiquei da minha interpretação, ao saber da data em que o Pobre S. Marcos é celebrado, mais um martírio a que não O poupam. Convido todos os meus Leitores a abrirem a caixa de comentários, onde, no primeiro, a desvendarei.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Barbas nos Tempos

Uf, estou mesmo a chegar ao fim de uma semana sem tempo para nada. Não é que o mal dos outros me console, mas evitei queixar-me, ou desistir, aimda que momentaneamente de Vós, ao ser informado de casos piores:
Passando do Tempo que foge para aquele de que se é obrigado a fugir, acreditei que a má vontade de um alto responsável russo contra o Pai Natal, dado como usurpador de identidade dum vulto tradicional, fosse mais do que nova tensão Leste-Oeste, um fenómeno de chauvinismo imoral. Mas não há como estudar. Ao ler a história do Pai Congelador daquelas bandas, vi que se tratava antes de um chauvimismo moral e moralizador, aquele que usa o frio que também queima para banir a frieza com que tantos recebemos aqueles que se acercam de nós.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Aporia do Progresso

Na antiguidade o Carro Solar era assim concebido:
Apolo e o Seu Carro, de Odilon Redon
Em 2008 dc é mais como segue:
A diferença entre conduzir o Sol e pedir que seja ele a puxar. É a decadência. Mas por que será que é o veículo novo que fica pior na fotografia?

sábado, 22 de novembro de 2008

As Vozes do Silêncio

Venho dando tratos de polé à capacidade especulativa para tentar perceber a atitude da maioria PS, de silenciar politicamente o Dr. Loureiro, não aprovando a audição parlamentar, no escuro negócio do BPN. A desculpa oficial, de estar a ser investigdo judicialmente, não colhe, pois nunca foi impedimento de diligências parlamentares paralelas, com Camarate à cabeça, até sob a voluntarista forma de Inquérito, quando, aqui, apenas se pedia que escutassem. Uma hipótese óbvia é a de pensar o partido do Governo lucrar mais com a suspeita sobre figuras do principal rival, comparativamente com o cenário de esclarecimentos que poderia obter uma comissão dedicada.
Porém, numa publicação de 1885, encontro narrada uma tradição de Tavira que talvez ajude a compreender. É a de fazer silêncio.
Quando uma Mulher daquela região queria obter indicação acerca de se realizar ou não alguma coisa pensada, prometia fazer um silêncio a Santo da sua devoção. Pedia a uma amiga ou parente que a acompanhasse e saíam as duas, sem trocar palavra uma com a outra ou com mais alguém que passasse, na noite de Quinta-feira, repetindo-o na de Sexta e na do Sábado, depois de uma reza ao Venerado em que se diz Senhor(a) Fulano(a), a Graça sois e graça me dais, pelo amor de Deus, peço ao Senhor Jesus Cristo que me deis a mostrar pelas vozes do povo se...
Dirigiam-se à capela em que se cultuava aquele Intercessor e, pelo caminho, a interessada ia rezando 100 Ave-Marias, enquanto a acompanhante tomava nota de todas as conversas que ouviam e daquelas em que entravam expressões como "sim, é possível, de certeza" e as que faziam soar "não, nem pensar", nunca", como convicções de força semelhante. De igual forma procedem no regresso, em cada um dos três dias citados. Depois somam as notas e, consoante as declarações pela positiva ou pela negativa predominem, têm a resposta ao que procuravam.
Eu já tenho dúvidas quanto a oráculos de iluminados. Elas aumentam, em passando a responsabilidade para a uma rudimentar Democracia. Mas admito que um raciocínio paralelo, preso a estas reminiscências do Oculto, tenha imperado nas mentes dos parlamentares ainda na mó de cima. E que no íntimo peçam à República, muito laicamente que lhes aclare o Passado como as Jovens Algarvias pediam aos Santinhos que lhes dessem a conhecer o Futuro. É que qualquer outra justificação ainda parece mais esfarrapada ao pé desta!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ratice, Precisa-se!

Para começar hoje com ligação ao que ontem encerrou, devo dizer que me parece bem necessário recorrer a outro método para expulsar esta rataria, já que a Música de hoje em dia pode suscitar muitas reacções, mas não propriamente encantar, que é o que se pretende fazer aos ratos. Mesmo se os seus intérpretes se mostram aptos a continuar a cativar a Miudagem. Também não me agrada a hipótese do veneno, pois, para além do risco de matar bichos inocentes, sabendo-se o quão peçonhenta é a sociedade actual, já deve ter levado os roeores a segregarem anti-corpos. Resta a maneira mecânica, esperando que a vontade da comunidade seja suficientemente forte para suportar tanto corpo de bicharoco apanhado; e que eles não hajam aprendido com a experiência ancestral...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Como um Rato?

Apolo Concedendo o Desejo da Sibila de Cumas, por Wilhelm JansonÉ conhecida a história mítica da Sibila que pediu ao mais perfeito dos Deuses a Imortalidade, esquecendo-se de lhe solicitar a Juventude Eterna. Continuando a envelhecer, mas sem meio de deixar o suplício, ia-se transformando numa carcaça cada vez mais mirrada, e enrugada, ao ponto de a população da cidade em que vivia, com o gáudio irreprimido da contemplação da monstruosidade, ter decidido suspendê-la numa gaiola, onde a petizada cruel lhe perguntava, mofando, Que queres tu, Sibila?, para a ouvir milhões de vezes formular o desejo inverso do que alimentara: Quero morrer!
Por que é que em matéria de prolongamento vital coisas destas não serão proibidas como doping? Que concepção tão pouco desportiva da vida!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

À Tio Patinhas

Uma coisa que me irrita solenemente é ver a Miudagem ataviada de bruxa, monstro ou fantasma, no 31 de Outubro. O Halloween, por cá, é clara rendição ao poder mediático das tradições anglo-saxónicas, que não reconhecem, salvo em meia-dúzia de cidades com Nova Orleães à cabeça, a importância simbólica e costumeira do Carnaval, período que também não aprecio, mas que, ao menos, é nosso. Deixarmo-nos penetrar por uma fantasmagórica crença irlandesa, ampliada recentemente nos States, é uma forma mais de nos desvincularmos da nossa Herança. E a duplicação de práticas atenta contra o carácter único que informa a essência do Adeus à Carne.
Mas sucede que hoje é também o Dia Mundial da Poupança. E conjugando a atmosfera de crise financeira com a palhaçada de Doce ou Partida! que se quer ensinar às crianças, sugiro esta fantasia. Quem se atreveria a resistir? O garoto que a envergasse teria por garantida a barrigada...


Abençoado incitamento a poupar, que me permitiu concentrar dois temas num só post!

domingo, 26 de outubro de 2008

Falta de Chá

Darumá, por Seikou Hirata
Nada como aproveitar um Domingo para confessar o quanto me chocou esta prescrição de chá (verde) para adelgaçar o corpo. Em princípio, seria um conselho nutricionista como qualquer outro, mas o certo é que não pude deixar de me recordar da lenda japonesa do surgimento do vegetal tão usado nas espalhadíssimas infusões. Teria ele brotado do voto piedoso de Darumá, de renunciar a todas as vaidades deste mundo e, de joelhos sobre o solo pedregoso, permanecer em contemplações místicas para redenção da humanidade, no resto da sua vida. Já sem pernas, gastas pelo incómodo da posição, sucumbira certo dia ao cansaço, adormecendo. Uma vez desperto, tão horrorizado ficou que, para não repetir a cedência à fraqueza, cortou as pálpebras, atirando-as para a terra. Elas teriam criado raízes e, desenvolvendo-se, corporizado o arbusto de cujas folhas se faz o chá. Ainda hoje a figura do asceta é motivo popular nipónico de muitas taças por onde aquele se bebe.
Não é chocante que se queira empregar o desdenhador das pavonices fúteis como propiciador dos kilos a menos que permitam fazer figura?