terça-feira, 11 de novembro de 2008

A B(r)amar

Em nada surpreende que o BPN e suas máscaras hajam escolhido umas quantas garagens do condomínio partilhado por Cristiano Ronaldo para armazenar a papelada que desejavam subtrair ao escrutínio: por um lado comprova a eficácia da propaganda da concorrência, a instituição intervencionada deve ter esperado aumentar a sua conta com a proximidade do Génio da Bola, se não mesmo receber alguns brindes. Mas há mais, considerando que muita da documentação será comprometedora, ninguém me tira da cabeça que o nome da rua - Comandante Cousteau, autor de «O Mundo do Silêncio» - também influiu na escolha, por fornecer esperanças de que as irregularidades não transpirassem.
O que é indiscutível é que as autoridades andaram aos papéis. E nem se percebe, decerto qualquer popular que conhecesse estas residências de luxo suspeitaria logo de que as respectivas acomodações de veículos albergariam grandes bombas...

14 comentários:

Mialgia de Esforço disse...

Num país minímamente credível estas trafulhices tinham consequências. A menos que eu esteja enganado, o que se seguirá será mais ou menos isto: o ruído de fundo sobre este caso irá, gradualmente, diminuir e a seguir virá a fase do branqueamento. Tudo com o beneplácito do Sr. Constâncio que hoje, pelas 21H, (??) irá prestar os devidos esclarecimentos (???) na AR.

Numa era de avaliações de desempenho, quem avalia o trabalho deste sr.? O indiscritível José Lello já detectou o problema: disse que tudo isto tem a ver com um problema de estruturas. Que o BP tem 1.400 funcionários, dos quais apenas 100 (??) estão afectos à supervisão. Simples e brilhante!

Abraço.

Ka disse...

E muito me espanta que não se passem mais coisas deste género...(passar-se-ão concerteza mas fica tudo no segredo dos Deuses).

Como muito bem diz o Mialgia neste país ninguém é chamado à responsabilidade. todos os actos são inconsequentes e os infractores sabem disso. Uns quantos recursos em tribunal (caso chegue lá) e a coisa tá feita...

beijinho

Pedro Barbosa Pinto disse...

“…os restantes condóminos já tinham protestado contra o armazenamento de papel nas garagens. Um curto-circuito poderia ser fatal. Mas, a empresa terá feito um seguro adicional para precaver tal situação.”

A ser assim palpita-me que o Cristiano Ronaldo na próxima deslocação a Lisboa ia ter que dormir no Ritz. Parece-me que o curto-circuito fatal já tinha data marcada.
Seguro adicional? Não vislumbro que o prédio se possa ter valorizado por conter nas suas arrecadações uns quilos de papéis contabilísticos. Esta minha mente depravada só consegue imaginar duas situações para a celebração do novo contrato de seguro:
1ª - O Senhor BPN chega ao balcão de atendimento e dirige-se à menina por trás do balcão:
- Ó Faxabôr. Queria aumentar o prémio do seguro contra fogo daquele prédio ali à beira Tejo. Por acaso não é meu, mas é um lindo prédio... e os prédios às vezes podem arder... e... sei lá?
2ª - O Senhor BPN chega ao gabinete do senhor SEGUROS e diz-lhe:
- Compadre, aqui tens a lista de obras de arte que estão guardadas nas arrecadações do prédio, eheheh. Só falta acrescentar valores nas que és tu que tens no teu Chalé das ilhas Caimão. Já escolheste a resseguradora? Despacha isso porque o Zé electricista já está quase a acabar a instalação do aquecimento da piscina lá de casa.

Paulo Cunha Porto disse...

É claro, Meu Caro Mialgia, que o Governador nada tem a ver com essas afectações de pessoal, mesmo aceitando uma desculpa tão... engenhosa.
O que eu acho lindo é o alegre tom com que se varia do elogio à prontidão da reacção, mal houve pistas, para a admissão de que há anos que as maroscas se acumulavam.
Olhe, Caríssimo, se um dia acordarmos menos escrupulosos, bora criar um banco?
Abraço

Gi disse...

Portugal é um país PROFUNDO.

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Ka,
isto está muito mal explicadinho. Eu sei que a ocultação de indícios consiste em encontrar lugares improváveis para encerrar as provas adversas. Mas seria este o local improvável mais... improvável? E se era, como é que, de repente, se chegou lá? Está a ver o Ministério Púlico a emitir mandados de busca a quaisquer garagens? Ora, se havia desconfianças concretas quanto a estas, por que razão só agora, que o Banco mudou de mãos...
Enfim!

Meu Caro Pedro Barbosa Pinto,
até chorei, a rir com o falar do Sr. BPN conTRATANTE de seguros! De facto, este circuito era curto, mas em termos de beneficiários reais!
E com a brilhante capacidade contratual que detectou no vulgo, independente de títulos de propriedade, que tal se segurássemos o Largo do Rato contra excessos de vereadores?
Beijinho e abraço

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Gi,
se é, tudo aponta para que as garagens fossem grandes e cavernosas...
O inferno também comunga de profundezas, não é? Podemos consolar-nos dizendo que ainda somos um grande País... lá bem no fundo.
Beijinho

Mialgia de Esforço disse...

Como somos todos crescidinhos convém estarmos preparados para o futuro da Banca:

If the global crisis continues, by the end of the year, only two Banks will be operational, the Blood Bank and the Sperm Bank.

Those 2 banks will merge and will be called ‘The Bloody Fucking Bank’.

Pedro Barbosa Pinto disse...

Eheheh Muito boa essa mialgia

Paulo Cunha Porto disse...

Ehehehehehehehe!
E aposto, Meu Caro Mialgia, que para CEO, contratarão esse gestor de sonho que se chame Leech Onan...
Abraço

Patti disse...

Humm, isso cheira-me a vingança do Real Madrid por o bebé ter ficado no Manchester.
Como Espanha está sempre a par do que por cá se passa, souberam da coincidências das garagens e toca de passar a informação às autoridades portuguesas.

Afinal não é neste país, que tudo não se resume ao bendito futebol?

ana v. disse...

Boa essa, Mialgia.
E com a fusão, pode ser que desapareça dos bancos da escola a Fucking Bloody Mary (de Lurdes)...

Mialgia de Esforço disse...

Para que conste, a autoria não é minha. E-mail amigo fez-me chegar esta brincadeira :-)

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Patti,
é. E considerando as ligações ao tal Banco Insular, poder-se-ia defender que estaríamos, nessa hipótese, perante mais um avañço de Nuestros Hermanos na África Lusófona...

Querida Ana,
não vale confundir com um cocktail quem quer impor uma política intragável.
Beijinhos