segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sinais dos Tempos

Há no Palácio da Independência, a casa de D. Antão de Almada em que os Conjurados se reuniram, um azulejo que representa o milagre de igual dia, em 1640. Logo após os Restauradores terem cumprido a Sua Missão, enviaram ao Arcebispo de Lisboa mensagem para que viesse tomar parte no Governo da Cidade. E assim o fazendo, o Prelado, não se conteve que não rezasse a Santo António, ao passar na Porta que Lhe levava o nome, pela sorte destes Reinos às Suas Gentes devolvidos. Eis quando os circunstantes viram o braço direito do Cristo do Crucifixo da Cruz Metropolitana do Dignitário Eclesiástico desp(r)egar-Se e fazer sinal por todos tidos como de encorajamento.Que diferença para estes tempos sem Rei nem Lei, em que ninguém já se fia na Virgem para coisa pública e ainda menos corre por ela. Se libertar-se das ordens de Madrid encontrou nos nossos Maiores a vontade de Acção que combina com o Gesto de incitamento da imagem do Salvador, estes esquecidos de Deus que vamos sendo, comodistas ao ponto de não reagirmos contra o domínio de Bruxelas, mesmo que contemplados por Nosso Senhor, na Sua Infinita Misericórdia, com um aceno similar, pondo a mão na consciência, decerto interpretaríamos o movimento como a despedida que fazemos por merecer.
E depois de tão triste confronto não pude deixar de pensar em Bombaim, dado na sequência daquele Primeiro de Dezembro em jeito de moeda de troca de uma Aliança garante. Se tivesse permanecido na dependência da Coroa Portuguesa, a nossa marca civilizacional, que teve o apogeu em Goa, teria impedido a fervura no caldeirão de ódios que levaram aos atentados e morticínios recentes?

3 comentários:

cristina ribeiro disse...

Não, Paulo, no lo creio- por todo o lado as coisas estão assim.
O tempo mudou, o vento varreu.
Beijo

ariel disse...

Querido Paulo, há perguntas que não têm resposta, em todo o caso , se não tem sido a estratégica aliança com a velha Albion provavelmente Portugal teria perdido a guerra da Restauração...

Beijinhos

Paulo Cunha Porto disse...

Mas em Goa, por exemplo, Querida Cristina, as coisas são mais calmas, salvo nalguma má vontade governamental para com os resquícios da nossa presença. Claro que, comparativamente, a dimensão de Bombaim é monstruosa, mas...
I wonder...

Querida Ariel,
sou o último a depreciar essa Velha Aliança, até porque, contrariamente a Pessoas da minha área de valores, sou anglófilo. A minha sigestão era no sentido de a convivência religiosa Ocidente/Oriente que empreendemos, sem prejuízo do proselitismo, não teria amolecido as aversões...
Beijinhos