terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Desmentidos, Diz mentidos

Duplicidade, por Anna (Zeku)Não faço a mais pequena ideia sobre se o Ministro Amado (de nome) pediu ou não desculpas ao seu homólogo Sérvio. Mas se não o fez, deveria tê-lo feito, que Belgrado vem sendo tratada pelos Ocidentais de uma forma inqualificável, tanta é a discriminação. E note-se que não tenho qualquer simpatia histórica pela Sérvia, que lembro como causa assassina da Grande Guerra, centro de hostilidade ao Catolicismo Balcânico e aspirante ao domínio num país artificial como era a Jugoslávia. Mas não é justo que paguem os dirigentes de hoje pelos pecados dos pais.
Quanto à nossa política, acharia mais do que natural que se tentasse explicações por uma mudança de comportmento difícil de entender: a adesão tipo Maria vai com as outras que sucedeu a uma inicial e prudente abstenção de reconhecer o Kosovo. E até acho que rima bem com a postura na cena internacional de Sócrates & correias de transmissão, sempre procurando estar bem com Deus e o Diabo, para aderir ao discurso do amigalhaço Chávez, que não obsta à continuação da indiscutível e cordial colaboração - já na evolução semântica de seguidismo - com o Aliado americano.
A Duplicidade em Política Externa (hoje) tem barbas.

8 comentários:

Gi disse...

O poder tem dois gumes, há que utilizar o que corte melhor, ou o que menos magoe.

cristina ribeiro disse...

Eles até que começaram bem ( Admire-se ! )mas já seria esperar demasiado que se aguentassem no bom caminho; até apetece dizer: os homens não são de ferro- manterem-se firmes na sua não lhes corre no sangue...
Beijo, Paulo

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Gi,
nas então, para quê tantoafã em (suponhamos) dar o dito por não dito?

Querida Cristina,
na altura congratulei-me com o facto. Tinham de obrigar-me a uma retractação? E sem culpa, salvo a da credulidade?
Beijinhos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Sempre critiquei a posição da UE em relação ao Kosovo e escrevi na altura que o reconhecimento por parte de Portugal, seria uma questão de tempo.
Agora o que me preocupa, meu caro Paulo, é que está a havr muitos desmentidos sobre coisas que os nossos governantes dizem lá por fora. Lembras-te do caso Sócrates/Chavez?
Uma questão de maus tradutors, ou gente de dupla face?

Mialgia de Esforço disse...

Hmm, alguém mente e conhecendo os antecedentes desta trapalhada acho que sei quem foste, Amado!

Abraço.

ariel disse...

Querido Paulo, como sabe muito melhor do que eu nestas coisas da diplomacia, há coisas que não se dizem publicamente, ponto final. Não se trata de quem mente. O Sr.Vuk Jeremic tem ele próprio um comportamento inqualificável ao publicitar eventuais conversas tidas com o Ministro Amado... aquela malta dos balkans têm todos duas faces... isto independentemente que eu considerar como o Paulo, a questão do Kosovo uma vergonha..

beijinhos

Patti disse...

O meu comentário terá pouco a ver com o tema do post, mas sempre que se fala em pedidos de desculpa a nível de personalidades com cargos de relevância, lembro-me sempre do João Paulo II e da sua atitude em Israel, que me comoveu como há muito nenhuma figura o fazia, de pedir desculpa aos judeus pelas acções da Igreja.
É só para quem pode, Paulo.

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro Carlos,
as coincidências, com efeito, são demasiadas. Cá para mim há mais traditore do que o tradutore...

Meu Caro Mialgia,
até porque a tónica do desmentido foi para a existência do telefonema, as desculpas foram mais referidas a propósito de não haver razão para elas. Um processo psicológico característico de negação de um facto.

Querida Ariel,
se as conversas tivessem sido privadas...
Qual é a fonteira, numa troca de impressões entre dois responsáveis pela Política Externa, que não se encontrem por relações particulares?

Querida Patti,
a humildade fica bem à Igreja.Sobre o papel histórico Dela na Inquisição, há muito que desmistificar, como a instrumentalização dela pelo Poder Estatal na Penísula Ibérica, a resistência do Papado em concedê-la, expressa na correspondência dos Núncios e a tolerância para com a Comunidade Judaica nos Estados Pontifícios.
Beijinhos e abraços