O mais triste do episódio ridículo do arremesso de sapato ao Presidente Bush no périplo iraquiano nem é a satisfação parcial com que muitos críticos impotentes dele se sentirão vingados, sublinhando o carácter infamante que tem na cultura Árabe o gesto. Não, o que é grave é ter sido um jornalista a fazê-lo. um gentleman of the press tem todo o direito de protestar contra o que queira, mas tem obrigação de fazê-lo por escrito, que é o seu meio de expressão esperado. Degrada-se muito mais do que ao alvo ao, desta maneira, ser apanhado descalço.Porém, o mau exemplo deu-o, afinal um expoente da classe política, o antigo líder soviético Krushchev, quando, na Assembleia-eneral da ONU, bateu com o seu calçado na mesa, por querer contestar colaboração militar hispano-americana e não o deixarem usar da palavra tão facilmente como desejaria. Em vez de ser a consciência dos governantes, a Imprensa copia-lhes os vícios. Estão bem uns para os outros. Há muito que os vários Poderes, do Mando à Escrita, deixaram de ser exercidos por uma classe caracterizada pela polidez. Bem dizia Alguém importante na minha formação, que jamais confiasse em quem facilmente se descalça em público.
Mas, enfim, há uma alegação que a Defesa pode contrapor - a de ser uma saída natural em quem politica ou informa com os pés. Cheira mal, naturalmente.





















