sexta-feira, 31 de outubro de 2008

À Tio Patinhas

Uma coisa que me irrita solenemente é ver a Miudagem ataviada de bruxa, monstro ou fantasma, no 31 de Outubro. O Halloween, por cá, é clara rendição ao poder mediático das tradições anglo-saxónicas, que não reconhecem, salvo em meia-dúzia de cidades com Nova Orleães à cabeça, a importância simbólica e costumeira do Carnaval, período que também não aprecio, mas que, ao menos, é nosso. Deixarmo-nos penetrar por uma fantasmagórica crença irlandesa, ampliada recentemente nos States, é uma forma mais de nos desvincularmos da nossa Herança. E a duplicação de práticas atenta contra o carácter único que informa a essência do Adeus à Carne.
Mas sucede que hoje é também o Dia Mundial da Poupança. E conjugando a atmosfera de crise financeira com a palhaçada de Doce ou Partida! que se quer ensinar às crianças, sugiro esta fantasia. Quem se atreveria a resistir? O garoto que a envergasse teria por garantida a barrigada...


Abençoado incitamento a poupar, que me permitiu concentrar dois temas num só post!

13 comentários:

ariel disse...

Se fosse só o Halloween... mas ele é o S. Valentin, ele é o "dia a mulher" que me causa uma "ersipela":) que nem lhe conto, o da criança (mais brinquedos inúteis)...and so on...

Patti disse...

Concordo inteiramente. É enervante esta absorção de tudo o que é americano.

E o antigo Pão por Deus?
Não me diga que é a crise e o Senhor também já não tem pão?

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Meu caro Paulo, a sociedade de consumo deita mão a tudo o que mexe e os consumidores vão todos atrás muito entusiasmados.
É por estas e por outras, que há quem diga que a globalização é um benefício para todos. O problema é que uns ficam com o guito e outros só têm direito ao circo.

Luísa disse...

Há dias que acho engraçados. Não troco presentes, mas troco alguns pensamentos. Já os dias da mulher e da criança são, como diz a Ariel, enervantes e perfeitamente ridículos. O Halloween tem, sem dúvida, a desvantagem adicional de se sobrepor ao nosso Carnaval, Paulo. Mas acho que só a miudagem um bocadito deslumbrada lhe adere; e aquela que agarra qualquer pretexto para se apalhaçar. O grosso da população – quero crer – mantém-se sobranceiro.

Luis Serpa disse...

É realmente uma pena ver esta aculturação. Mas em Portugal há uma natural propensão para isso: veja-se a facilidade com que os brasileirismos por cá entraram, por exemplo. Não sei bem porque é, se bem tenha duas ou três hipóteses.

leonor disse...

Aqui na aldeia é dia de Pão-por-Deus. Estou à espera da criançada. Hoje há poucas crianças até agora, julgo que terá a ver com o frio :-)

Pedro Barbosa Pinto disse...

Caro Paulo,
Ao juntar a Poupança com o Halloween, em nenhuma altura lhe ocorreu apelar para as suas, estou mais que certo, muy prendadas e virtuosas visitantes, para transformarem o interior das suas abóboras feitas lanternas, naquele delicioso doce que casado com o requeijão é manjar de qualquer Rei, absolutista ou não?
E rematar o post com a morada para onde os excedentes poderiam ser enviados, depois de devidamente enfrascados?
Um abraço :-)

Pedro Barbosa Pinto disse...

e rotulados não vá a ASAE deitar-lhes a mão!

Marie Tourvel disse...

Post genial, diga-se de passagem... ;)
Um grande beijo!

Gi disse...

É a crise dos nossos valores, ou será que são os valores da nossa crise?

Estranho! Hoje ainda não tocaram à campainha a pedir Pão-por-Deus?
Será que não há pão? Será que não há Deus? Bruxo!

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Ariel,
é vem verdade. Então o Dia da Mulher, para um sujeito ue ouvia emcasa protestos contra os Diasdo Pai e da Mãe, "porque se esperava que esses fossem todos"...
E, como dizia um velho colega de Liceu, colicar a Mulher ao nível da Árvore... é não reconhecer Nela mais do que vida vegetativa.

Querida Patti,
más notícias, ainda não bateram à minha porta a pedi-lo. E podemos congeminar uma hipótese pior, a de o pessoal que nos rodeia só estar interessado no pão que o Diabo amassou, mas num sentido bemdenotativo, quanto ao produtor...

Meu Caro Carlos Barbosa de Oliveira,
grande expressão, essa com que remata! Mas é pena que a globalização, que deveria servir para conhecer melhor o Outro, leve a um arrastamento unformizador. Pior um pouco quando serve interesses comerciais, claro.

Meu Caro Luís Serpa,
trnho que a difusão de expressões oriundas do Brasil também vive da mesma força motriz que as importações da América: a BD e a quota de audiovisual que lhe cbe, a saber as telenovelas.

Querida Leonor,
sim, ele fez a entrada em força. Talvez nos meiosmenos próximos dos centros urbanos a descaracterização seja menor, tentemos acreditar que a vida é menoa estabelecida em frente do televisor.

Meu Caro Pedro Barbosa Pinto,
tenho novidades que O farão abraçar-me: ontem mesmo uma das Minhas Prendadas Visitantes me banqueteou com esse mesmíssimo doce de abóbora, apesar de irremediávelmente apartado da Real condição. E com etiqueta!

Querida Marie tourvel,
um Diabo aprovando que eu fale contra os adoradores Dele?
Origadíssimo

Querida Gi,
neste mundo em que estamos imersos dá vontade de dizer como o outro, contra Nietzshe: "Deus não morreu, mas reformou-Se".
Beijinhos e abraços

Pedro Barbosa Pinto disse...

Pois eu, meu caro Amigo, na falta do dito cujo que me adoçasse a paciência para atender aos ‘Doce ou Partida’ dos miúdos cá do bairro, sugeri bem cedo à minha mulher: - 'Time to bed, my sweet little pumpkin?'

Paulo Cunha Porto disse...

Ehehehehe,
eis uma proposta que, imagino, tornava impossível a resposta "ora abóbora!", meu Caro Pedro...
Abraço