segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Romantismo ou Realismo?

Sobre o valor emblemático da vida sentimental contemporânea que mais sobressai nesta fotografia de Langfossen, a decisão aos (e)Leitores...

15 comentários:

Nocas Verde disse...

Ai!
Fico com vertigens só de a ver! :)
... e a vida sentimental contemporânea, diz, não será apenas (e sempre) a mesma de sempre... apenas com (muitas) diferenças no meio envolvente e uma permissividade (em demasia) de permitir esse meio nos envolva demasiado? (não me interprete mal, Caríssimo. O amor foi sempre complicado. Não é de agora, acho.)

Ka disse...

Olhe caro Paulo, nem uma coisa nem outra...doideira total é o que é!!!!
Se já se viu um abraço naquela pedrita....e vem uma rabanada de vento e como é? :P

Once disse...

uma grande dose de coragem Meu Amigo .. mas não será o amor em todas as suas implicações (implicâncias) isso mesmo?
Coragem .. é, acho que gosto do termo.

:)

Mialgia de Esforço disse...

O Paulo e a sua faceta psicanalista. Acertei?
Então cá vai: loucas, ousadas,arriscadas, imprevisíveis, periclitantes, vertiginosas, intensas, fugazes, dedicadas.

Com o pavor que tenho das alturas, a mim é que não me apanham ali. Inclusivamente, quando andava por lá (Noruega, não é?) a passear com a Sharon Stone, a cimentar uma grande amizade, salta ela para o pedregulho e diz-me: "Mialgia, vem cá e abraça-me!" Disse-lhe que não, que tinha medo. Insistiu, acentuando ainda mais a sua sensualidade (como se isso fosse possível!), e que se eu não fosse não queria mais nada comigo. Como não acedi tudo terminou ali.

Patti disse...

Uma parte da vida sentimental contemporânea é tal qual como na foto, periclitante, até ao momento em que cada um se separa e salta de novo para o lado da montanha de onde surgiu.

O que mais sobressai na foto, é que apesar de terem o calçado adequado para a tarefa, esqueceram-se de trazer o capacete, os grampos, o mosquetão, o freio e as cordas.

Assim, a escalado-relação dificilmente chegará ao fim com sucesso.

mike disse...

Que grandes malucos...
Abraço.

LADY-BIRD, ANTITABÁGIKA, FÃ DO JOMI LOL E JÁ AGORA DO NOSSO AMIGO ANTI-TECNOLOGIAS: MARCHANTE (se não existisse tinham que o inventar) disse...

Caro Paulo, penso que é apenas e só exibicionismo...

um beijinho, continue o bom trabalho

Marie Tourvel disse...

Romantismo... sempre. :)
Beijinho.

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Madrinha Nocas,
mas não será isto demasiadamente "atracção do abismo"?!

Pois, Querida Ka,
também me parece que é mais exibicionismo do que outra coisa. A menos que sejam fanáticos do quadro de Kokoschka, «A Noiva do Vento» e estejam a promover um ménage à trois em que, finalmente, a vizinhança de Eros e Thanatos seja consequente...

Querida Once,
viu bem, viu bem, é talvez mais fácil encontrarem a coragem para enfrentar este risco, do que seria concentrá-la em mergulharem um no outro. Uma manobra de diversão, enfim!

Hahahahahaha! Meu Caro Mialgia, pois com esse isco, tenho impressão que até me faziam bater o record do Mundo de queda livre... também no sentido genésico da prova do fruto proibido, claro.
Mas estou mesmo a imaginá-Lo, com grande aplomb, a parafraear Claude Rains, o Capitão Renault de «Casablanca»: "palpita-me que este vai ser o fim de uma bela amizade..."

Querida Patti,
ou seja, eles convenceram-se de que, para treparem com plenitude, bastava não serem apanhados descalços. Oooops, mas que estou eu para aqui a dizer? Esqueça, esqueça!

Meu Caro Mike,
piores do que nós. Por muito jeitosas e fogosas que fossem as Piquenas, não nos vejo a fazer desta avarias!

Querida Lady Bird....
Bem-Vinda e obrigado pela distinção com que me contemplou. Olhe que se o Marchante é o Eterno Saudoso em que estou a pensar, eu sou sócio Dele nessa empresa... E sim, é uma espécie de megafone onde gritam "ó pró apaixinados que estamos,não olhamos para mais do que nós!".

Querida Marie Tourvel,
essa sera a apreciação caridosa. Mas os cínicos dirão que mais não é do que adrenalina, o sinónimo possível, nos tempos que correm.
Beijinhos e abraços

Margarida Pereira disse...

O elemento em falta na foto é o terceiro.
Que pode segurar a câmara ou o espelho.
Que estica o braço para amparar ou empunha a lança, para marcar.
Eles não estão sós.
O amor é a coisa mais difícil que Deus nos permitiu.
Talvez seja o tal de Purgatório...

fugidia disse...

Confiança?
:-)

ariel disse...

Fugaz, a exaltação do momento...?:)

ana v. disse...

Ocorrem-me de imediato duas classificações para este romantismo da imagem. Uma mais séria: ABSOLUTO. Outra mais irónica: ENTALADO.

E acho, como a Margarida, que eles não estão sós. O terceiro é a própria pedra em que estão (e em questão), que tem a vida de ambos nas "mãos"...

beijinho, caro shrink!

Luísa disse...

Romantismo e realismo, Paulo? As duas coisas, talvez. O romantismo estará na generosidade com que, por amor, ambos enfrentam o risco. O realismo estará na «representação» da união de ambos naquela horrível pedra, segura por pinças sobre aquele horrível abismo… :-\

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Margarida,
foi a primeira vez que vi o Amor dado como Purgatório, normalmente a identificação dele oscila entre Céu e Inferno.
O problema desse "terceiro" está em todas as poses dos fotografados serem ensaiadas em função dele. Sem que ao menos se possa dizer, com surpresa, "afinal havia outro"...

Querida Fugidia,
talvez, no sentido "junto de ti sinto-me absolutamente seguro". Temo é que com o tempo, essa linha de interiorização se venha a transformar em irresponsabilidade, tipo "contigo posso fazer não importa o quê...".

Querida Ariel,
tinha, na verdade, pensado uma certa dimensão Zen, perceptível na inconsideração de todos os perigos e aguilhões da Vida que o aproveitamento do instante ostraciza.

Querida Ana,
ehehehehehe, olha que se juntarmos as duas palavras que Te ocorreram, parece-me que a que predominará, ampliada até, é a menos optimista...
Claro que no domínio passional estar pedrado faz parte. Neste caso receio é que a qualquer instante o termo passe a designar uma overdose fatal...

Querida Luísa,
esse foi também o "meu sentido", a insistência em mergulhar no Amado, mesmo perante a evidência do que se arrisca. Mas quem desista será ainda humano?
Beijinhos