segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Telefonofobia

Sabe quem me segue há mais tempo da minha raiva surda, nas fronteiras da patologia, aos telefones. Cheguei a publicar um artigo primordialmente assestado ao perigo de servidão ínsito no uso de telemóveis, mas em que não poupava os antecessores de fio. E o tempo parece apostado em dar-me razão, como provam as últimas notícias. Na campanha eleitoral norte-americana chegou-se à degradação do eleitor a que se pede a confiança, com a triste moda dos telefonemas-robô, mensagens pré-gravadas, automaticamente enviadas para os números dos cidadãos tidos como terreno fértil. Se algum candidato, nos EUA ou na Patagónia, tivesse a lata de pôr um aparelho a tentar convencer-me da bondade do seu programa, com uma mensagem feita para um qualquer, imediatamente ficaria excluído das hipóteses de obter a minha preferência. Ou então, a terra a quem a trabalha, toca a eleger aquele que deu o litro!

Por outro lado, alertam-nos para a quase inevitabilidade de, com o aumento da componente de inteligência artificial dos telemóveis, estes virem a ser uma mina para os hackers, os piratas informáticos inseminadores de vírus, já que estão mais desprotegidos do que os computadores clássicos. Cada vez mais me convenço de que, tirando os progressos da Medicina, a única invenção de jeito, desde a Antiguidade Clássica, foi o autoclismo. Em matéria de telecomunicações, caminho a passos largos para acreditar que o estado ideal é o antevisto nesta premonitória pintura de Chamine: Desligado.
Sejam os bucaneiros os da Política, ou os dos teclados, não há dúvida de que a nossa paciência está a saque.

14 comentários:

tsantos disse...

"Por outro lado, alertam-nos para a quase inevitabilidade de, com o aumento da componente de inteligência artificial dos telemóveis, estes virem a ser uma mina para os hackers"

Pode-se sempre usar um daqueles tlm "pré-históricos", cuja única função era servir para...fazer e receber telefonemas!

Ab
T

filomeno2006 disse...

El gran Paulo, partidario de la carta postal personalizada, y escrita a mano preferiblemente.......¿No?
Ab.

cristina ribeiro disse...

Um "clássico", com lugar assegurado num futuro museu de telemóveis, daqueles que não tiram fotografias,que servem apenas para manter o contacto com os que me estão longe, assim é o meu Nokia, que nunca foi trocado pelos " moderninhos" :)
Beijo

Tiago Laranjeiro disse...

Penso que o Paulo não saberá, mas durante as últimas eleições directas do PSD já Pedro Santana Lopes recorreu a essa técnica das chamadas pré-gravadas.

Abraço!

ariel disse...

Tenho um amigo que vive em Tampa na Florida e que recebeu um desses telefonemas robots. Ele não é eleitor, mas a mulher sim, vai votar pela primeira vez. São mensagens absolutamente primárias dignas de autenticos atrasados mentais. Aliás, estou quase a ficar adepta da sua teoria contra o sistema eleitoral, a falta de transparência e de controlo dos cadernos eleitorais, no coração da democracia tem dado pano para mangas...

Bic Laranja disse...

A cassete americana despiu o disfarce do entretenimento hollywoodesco. É uma cassete a sério. O pregador evangelista engoliu uma e ninguém nota.
Cumpts.

Mialgia de Esforço disse...

De acordo quanto à imbecilidade dos telefonemas-robô. Mas o que mais me irrita são aquelas chamadas, invariavelmente à hora do jantar, a oferecer coisas fantásticas. Nem as deixo papaguear a lenga-lenga do costume.

Também resisti enquanto pude ao telemóvel. Hoje vejo nele um meio de comunicação muito prático e imprescindível. Em caso de urgência ou emergência é uma óptima ajuda. Desde que não se caia naquela parolice muito tuga de telefonar e mandar SMS por dá cá aquela palha.

Caro Paulo,com toda essa aversão ao telefone imagino que deve ter um pombal bem apetrechado de pombos-correio equipadinhos com as cores do SLB :)

Abraço.

JúliaML disse...

os adolescentes estão absolutamente compulsivos com as SMS's...dificil..

quanto à sua visceral aversão, estamos falados , Querido Paulo :-)

bem querer

ana v. disse...

E eu que pensava mandar-te uma mensagem de campanha, a ver se votavas em mim... lá terei que recorrer aos sinais de fumo! Faça o favor de ir à janela amanhã de manhã, caro eleitor. :-)
Beijo

(Tal como o Mialgia, resisti até ao limite ao telemóvel. Depois rendi-me, claro, e acho-o essencial. Mas não sou escrava dele, passo a vida a deixá-lo por todo o lado...)

Luísa disse...

Detesto telefones. Detesto cruzar vozes, sem ver - e eu própria dar - a cara (revelando intenções). Na comunicação escrita, também não acontece, mas sempre temos tempo para estudar as respostas, as palavras que usamos, a «expressão» que lhes queremos dar. O telefone impõe-nos um «repentismo», que é um permanente risco de incompreensão mútua… Tudo isto para dizer que estou consigo, Paulo. ;-)

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro TSantos,
como a minha animadvesão se estende a todo o tipo de telefone, esse dinossauro de bolso seria tudo menos excelentíssimo.

Meu Caro Filomeno,
partindo do princípio algo abusivo de que "gran Paulo" serei eu, a resposta é
SIM! SIM! SIM! SIM! SIM!

Querida Cristina,
está ao menos livre do contágio. Mas continua demasiado ligada ao que A não merece!

Credo, Meu Caro Tiago Laranjeiro,
se outras razões não houvesse para não nos inscrevermos em partidos...

Querrida Ariel,
eu não gosto da partidocracia só por causa das fraudes em que é useira e vezeira. vou mais longe, acho-a, mesmo na sua promessa essencial, uma fraude. Mas quando querem reduzir as Pessoas a marionetas com arames absolutamente ofensivos como a indigência mental destes automatismos, pior um pouco.

Meu Caro Bic Laranja,
é bem verdade. Desprovida do glamour (ai, perdoe), quer dizer, o encanto do Espectáculo, aquilo fica reduzido a uma fita muito passada. Mas parece-me supinamente imoral obrigar a esse recital quem não pagou para o ouvir.

Meu Caro Mialgia,
Absolutamente de acordo, essas pressões consumistas são uma praga que já quase me fez desistir da assinatura do telefone fixo. Mas há sinais de esperança, ora veja:
http://tech.yahoo.com/blogs/hughes/34813
Por outro lado, o tm faz com que Pessoas menos más se tornem piores, repousando numa chamada em que se confessam atrasadas para um compromisso, abdicando assim de fazer tudo o que podem para não chegar tarde. Além de figuras que não quero qualificar, como duas Senhoras que marcam encontro num centro comercial e, a 20m uma da outra, se telefonam com este diálogo de fugir: "onde estás, ah já estou a ver-te!". Socorro!
E os pombos têm du bon, Há Países em que até os militares voltam a recorrer a eles.

Querida Ana,
pois eu resisto para além dos limites! Passei esta aurora à janela e nem Fumos de Ana! Vê-se bem que já entraste na Política!

Querida Luísa,
é isso mesmo, não gosto de falar com donos de caras que não esteja a ver. E na Escrita, mesmo a mais simples, há a Arte que se pode avaliar, para além de rictus comparável ao das expressões faciais.
Bora fazer umas t-shirts com o protesto da nossa avesão?
Beijinhos e abraços

Mialgia de Esforço disse...

Caro Paulo,

Parece interessante. Desde que seja para afastar as melgas...

Paulo Cunha Porto disse...

Hahahahahaha!
É mesmo. E Caro Mialgia, quanto às verdadeiras, quer crer que me incomoda uito maiso zumbido do que a picada?
Abraço

TSantos disse...

Neste caso, Paulo, como noutros, sou adepto do "quanto mais simples melhor"...o meu, pelo menos, é assim.

Ab
T