domingo, 26 de outubro de 2008

Falta de Chá

Darumá, por Seikou Hirata
Nada como aproveitar um Domingo para confessar o quanto me chocou esta prescrição de chá (verde) para adelgaçar o corpo. Em princípio, seria um conselho nutricionista como qualquer outro, mas o certo é que não pude deixar de me recordar da lenda japonesa do surgimento do vegetal tão usado nas espalhadíssimas infusões. Teria ele brotado do voto piedoso de Darumá, de renunciar a todas as vaidades deste mundo e, de joelhos sobre o solo pedregoso, permanecer em contemplações místicas para redenção da humanidade, no resto da sua vida. Já sem pernas, gastas pelo incómodo da posição, sucumbira certo dia ao cansaço, adormecendo. Uma vez desperto, tão horrorizado ficou que, para não repetir a cedência à fraqueza, cortou as pálpebras, atirando-as para a terra. Elas teriam criado raízes e, desenvolvendo-se, corporizado o arbusto de cujas folhas se faz o chá. Ainda hoje a figura do asceta é motivo popular nipónico de muitas taças por onde aquele se bebe.
Não é chocante que se queira empregar o desdenhador das pavonices fúteis como propiciador dos kilos a menos que permitam fazer figura?

15 comentários:

ana v. disse...

Chocante mesmo é - para os amantes de chá como eu - imaginar que estamos a beber uma infusão das pálpebras do outro...
Francamente, Paulo! :-)

Ka disse...

Apesar de incondicional apreciadora de chá (então à tarde acompanhado de uns scones...) confesso que não, e aidna bem, sou grande apreciadora de chá verde :P

Ja agora um apontamento referente às dietas, as pessoas nunca se aperceber que a "receita" prescrita no link que nos deixou, já por si e mesmo sem chá verde faz adelgaçar !

Beijinho

cristina ribeiro disse...

Moral da história: o verde é benéfico em todas as instâncias...; custa compreender, hein, Amigo :)

Patti disse...

O sr. chá verde só queima aquela 'kaloria' toda, porque está carregadinho de cafeína.

Ora, o alcalóide dá-nos conta dos nervos e então é ver-nos a correr desalmadas por esses paredões afora, de forma a respingarmos o azoto que a substância contém e a aproveitar o que ainda resta de oxigénio na atmosfera.

Resultado: ficamos umas brasas!

ariel disse...

Querido Paulo,ao prazer de o ler, junta-se a certeza de saber que estou sempre a aprender. Quanto a chás sou fanática, e não sou esquisita com as cores, dos verdes aos pretos dos brancos aos vermelhos, incluindo tisanas...:)

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Ana, repara, há outra maneira de encarar o relato legendário - o de nos querer apenas demonstrar que é uma beberragem que nos propicia a postura de olhos bem abertos para o Outro...

Querida Ka,
também me parece. Será a publicidade de génio, com as causas dissolvidas no conjunto, aspirar todo o reconhecimento para um dos item´s!

Querida Cristina,
interpretação mais perigosa - o Verde queima o peso que alguém tenha...

Querida Patti,
agora deixou-me danadinho para fazer um post sobre as origens do café, que também tocam o Sagrado. Temo é que a estrutura do blogue não aguente, no mesmo dia, abordagem a duas vertentes similarmente ingeríveis.
Eu imagino as minhas Colegas e Leitoras umas Brasas, de qualquer maneira...

Querida Ariel, há aqui perto, por Carcavelos uma casa de chá simpaticíssima com um "Chá do Druída", em que entra o Gi(n)seng, o qual tem o condão de me reconciliar com a vida, sempre que ando em baixo.
E para as Senhoras, há outras atracções míticas, de Fadas várias. Até o Amigo Mialgia posso convidar, que o "Chá do Dragão" também anda por lá.
Beijinhos

JúliaML disse...

é uma parvoíce, eu fui testemunha disso, as pessoas compram chá verde pensando que emagrece. Faz-me lembrar aquelas tribos que cantaam a canção de propaganda à pilula, ao invés de tomar a mesma :-)

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Júlia,
as pessoas aceitam qualquer esperança que lhes seja oferecida para se aproximarem do novo ideal físico, já se sabe. Agora a toma da pílula, num certo sentido, se não faz emagrecer, pelo menos ajuda a não engordar...
Beijinho

ariel disse...

É uma excelente ideia :) No Junqueiro? Há uma mais antiga e uma nova ao lado da casa de gelados, esta última tem também um batido de maçã e canela delicioso...

mike disse...

É chocante sim senhor, meu Caro. Mas como eu não bebo chá, nem verde, imagine-se, não consto da lista dos bebedores de uma infusão de pálpebras.
Abraço.
p.s. - Não disse a verdade. Bebo chá mas da Escócia, com 3 pedras de gelo.

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Ariel,
no Junqueiro, pois. Posso fazer publicidade, ora, corresponde ao que penso e não recebo um tostão por isso. É a Chaleira, nome apropriadíssimo!

Mas, Caro Mike, sei-O sempre de olhos perspicazmente arregalados...
Tudo o que é demais cansa, suponho.
Abraço

Paulo Cunha Porto disse...

E Beijinhos à Ave

Luísa disse...

Meu caro Paulo, sobre as «Brasas», desde já lhe agradeço sentidamente o meu quinhão, como colega, comentadora e grande apreciadora. Sobre o chá verde, sou consumidora regular, embora não porque emagreça, mas porque é verde. Imagino-o, portanto, um saudável equilíbrio entre os chás pesados (pretos e encarnados) e as tisanas leves (descoloridas). A lenda é perturbadora, mas o verde tem mais força. :-)

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Luísa,
a mim o que não me entra é que o Verde da Ecologia se haja sentido tão pouco à vontade na Mata Real, que pareceria um meio nada hostil...
Beijinho

mike disse...

Obrigado, Luísa. :D